sexta-feira, abril 27, 2007

Mata Mata # 5

O Mata Mata 4 acabou 12-16 em favor do Bloguista #8, parabens, realmente os 2 foram otimos, mas Mata Mata é assim. É o quarto numero par a vencer! Vencedor, por favor me manda seu proximo texto!

Bom vamos direto ao proximo Mata Mata, á proxima fase tá prometendo!

Bloguista # 9

Informação com Ética

Há pouquíssimo tempo, a mídia gaúcha concentrava-se em um canal de televisão, dois jornais impressos e algumas rádios. Todos eles usavam-se, e continuam usando as mesmas fontes, de forma que qualquer fofoca dita por um repórter, ganhava, e ainda ganha, status de fato comprovado. Entretanto essa realidade está sendo radicalmente alterada pelo desenvolvimento da Internet, a qual se caracteriza pela pluralidade de fontes e pela interatividade com o leitor, inclusive nos meios esportivos. Essa mudança tecnológica e cultural é inevitável e quem ignorá-la vai "comer poeira".

O cenário midiático que está em declínio caracteriza-se não só pela concentração de informações, como pela unilateralidade da mesma. O jornalista escreve, e o leitor apenas recebe a informação. Nesse caso, o público fica refém de uma eventual falta de ética de um mal-jornalista, o qual, por ter direito ao sigilo de fontes, pode tranquilamente inventar uma reportagem sem que nada lhe ocorra. A mídia empresarial não tem compromisso com a verdade, muito menos com os clubes de futebol. Seu interesse principal é vender jornais e ganhar audiência. Dessa forma é muito fácil, passar a semana "vendendo e comprando jogares", criando rachas no vestiário, brigas noturnas de jogadores não identificados, etc. Antigamente, quem iria desmenti-los? No mínimo era preciso comprar uma gráfica para imprimir jornais, ou ganhar uma concessão de rádio e TV dos governos em "tenebrosas transações"... No entanto, essa forma de fazer mídia está perdendo espaço.

Se a velha mídia está em declínio, quem está em ascensão? A Internet. Fazer mídia, divulgar e trocar informações ficou infinitamente mais fácil, e este BlogVermelho e seu primo-irmão audiovisual "Soy Loco Por Ti América" são prova disso. Podem subestimar, mas considero aquela retificação do Wianey Carlet, no episódio da mentira (ou, no mínimo, informação irresponsável e jornalismo vil) do Paulo Santana no Sala de Redação, um marco na história do jornalismo esportivo gaúcho. E o que dizer da lista de jogadores "vendidos pela mídia"? E os caras do programa do Milton Neves falando sobre o salário do Abel no Corinthians? Teve também o episódio sensacionalista do Baldasso, falando em jogadores do Inter promovendo quebra pau em Bento Gonçalves "completamente bêbados". Em todos esses casos, a verdade só veio a público por causa da Internet. O filme SLPTA também é fruto da Internet, a qual é sua fonte de matéria prima e meio de distribuição. Fora o autor, o Blog e o Filme têm uma característica fundamental: não custaram nem um centavo. E o que dizer também do BV TV, e o BV Debates sem precisar de concessões públicas? Pois é, as coisas mudam.

Frente a essa revolução em curso, não são os grupos de mídia empresarial que irão acabar, mas sim o jornalismo sem ética, inescrupuloso, sensacionalista e descomprometido com a realidade dos fatos que sofrerá um abalo. Aqueles que insistirem na velha tática da mentira, do escândalo e do sensacionalismo serão desmascarados e sua credibilidade diminuída cada vez mais. Informação é um direito; não, um favor. E todos nós, colorados, temos esse direito de exigir informação de qualidade e respeito ao nosso Internacional.


BLOGUISTA # 10

Para ler daqui 20 anos.

2006


Plutão deixava de ser planeta. O antigo integrante do Sistema Solar era rebaixado à condição de Asteróide número 134340 do Centro de Planetas Menores. Na Europa, uma charge de Maomé com um turbante em forma de bomba provocava violentos protestos e fogo na embaixada dinamarquesa de Beirute. Ainda no Velho Continente, o ETA anunciava cessar-fogo permanente e Montenegro aprovava a independência da Sérvia.

Pela primeira vez na história, uma mulher, Michele Bachelet, governava o Chile, enquanto milhares comemoravam a morte do ex-general Augusto Pinochet. Venezuela e Brasil reeditavam a história, reelegendo Hugo Chávez e Luis Inácio Lula da Silva. Na Bolívia, um indígena recém eleito, Evo Morales, dava 180 dias para a Petrobrás entregar o controle de seus campos de petróleo e gás natural para a estatal YPFB. Enquanto isso, em Cuba, cubanos viviam seu primeiro dia sem Fidel, afastado provisoriamente por problemas de saúde. A corrida espacial finalmente chegava em terras brasileiras, através da espaçonave russa Soyuz e do cosmonauta Marcos Pontes. Perdíamos o mestre Telê Santana e Braguinha dizia adeus ao som de Chiquita Bacana, no ano que a FIFA organizou a terceira edição do Mundial de Clubes.

Seis equipes participaram da competição mundial, cada uma representando um continente. Al Ahly do Egito, América do México, Jeonbuk da Coréia, Auckland City da Nova Zelândia, Barcelona da Espanha e Internacional do Brasil desfilavam, em território nipônico, suas armas e trunfos para obter aquela que poderia ser a maior conquista de suas histórias: a consagração como campeão mundial de clubes. Espanhóis, catalães, japoneses e, sobretudo, o mundo inteiro, esperavam o título da equipe de Frank Rijkaard, dona da Europa e de figuras como Deco, Thuram, Zambrotta, Giuly e Ronaldinho Gaúcho, eleito pela Fifa, nos dois anos anteriores, como melhor jogador de futebol do planeta. Porto Alegre, uma grande e provincial cidade ao Sul do Brasil, esperava diferente, ou melhor, metade dela esperava algo diferente. Os torcedores do Internacional, conhecidos como Colorados, esperavam que a lógica tropeçasse nas suas próprias pernas e que o título fosse expedido para a metade meridional do globo.

E quem acabou tropeçando nas próprias pernas foi Puyol, defensor espanhol que teve a cervical deslocada por um drible desconcertante de Iarley, autor de meio gol. A outra metade coube ao desprezado e pouco amado Adriano Gabiru, que empurrou a bola para o fundo das redes com o lado externo do pé direito.

Para Cruyff, o título colorado veio somente pelo fato de que o torneio era talhado para sul-americanos. Para alguns entendidos, o título nasceu numa reunião realizada na véspera da partida, no décimo quarto andar do hotel da delegação do Internacional. Era o triumvirato vermelho e branco decidindo o futuro da equipe. Para a estatística, contudo, o título era do Internacional pois este tinha colocado a bola dentro da rede em quantidade superior ao adversário.

A festa em Porto Alegre durou dias, com direito a desfile em carro de bombeiros. As línguas mais afiadas relatam que Ronaldinho Gaúcho não apareceu em Porto Alegre no Natal daquele ano, pois para chegar ao Rio Grande do Sul ele devia passar pelo Ceará.