segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Testando

Há uns meses, num programa de TV (brasileiro) sobre esportes, vi um jornalista inglês comentar que não compreendia a existência dos campeonatos regionais. Peguei o debate pela metade, mas do que pude interpretar ele argumentava que não são competições expressivas e que as equipes deveriam se voltar para o campeonato nacional. Não foi necessariamente nestes termos, mas o jornalista se mostrou surpreso com a instituição dos regionais no Brasil, também por conta da inexistência desse tipo de disputa na Europa.

O primeiro motivo desta ausência é fácil de perceber, nosso país é quase um continente se comparado ao Velho Mundo. Alguns de nossos Estados são de mesmo tamanho e/ou maiores que países pra lá do Atlântico. Não tem sentido pra eles a subdivisão das competições como a praticada aqui. Outro fator determinante é o grande número de times pequenos no Brasil, para os quais o ano vale mesmo até maio - quando se iniciam os nacionais séries A,B,C e D. Talvez este seja o ponto sensível da inconformidade com as disputas regionais. Já que existe uma quarta divisão de Campeonato Brasileiro, não haveria necessidade dos estaduais, uma vez que modestas equipes disputariam entre si em caráter nacional. Isso porque a principal crítica aos estaduais está no fato de que grandes times jogam com adversários mais fracos e a disputa não serve de base para a temporada dos “maiores”, além de expor atletas de alto nível a lesões que podem tirá-los de jogos importantes.

No entanto, cabe ressaltar que para o cofre de um pequeno clube no interior do Rio Grande do Sul há uma tremenda diferença entre levar jogadores de ônibus até 200/300 Km e de avião/estadia até o interior da região Norte, por exemplo. Vale bem mais investir na qualidade técnica de algum reforço, jogar próximo ao seu torcedor e ter sua marca exposta em mídia por algum (ainda que breve) período. Portanto, é plausível considerar que para estes times o objetivo será fazer um bom campeonato estadual, buscar uma semi ou final que traga espaço e divulgação para então almejar competições mais amplas. Se fizerem este dever de casa, com planejamento e organização, o reflexo no nível do campeonato será positivo e para os grandes times a conseqüência será ver nos regionais boas oportunidades para testes individuais e coletivos.

A partida de ontem entre Caxias e Inter demonstrou justamente a relação bem sucedida de ambas as equipes com o Campeonato Gaúcho. O time da Serra levou a campo um grupo organizado, com alguns destaques e campanha invicta até então. Quando adiantou a marcação no segundo tempo sucumbiu à disparidade técnica que resultou em algumas faltas mais duras e uma expulsão. Dentro das limitações, considerado normal até. Fez um bom jogo e segue na disputa com seus objetivos, citados acima.

Para o Internacional foi sem dúvida um bom ensaio, levando em conta a relevância de se impor ritmo através de seqüência e repetição, maiores carências no início de temporada. Administrou o jogo, experimentou com tranqüilidade a troca de passes no meio campo e testou entrosamento, com destaque para Oscar e Dagoberto. Certamente não terá a mesma facilidade com o Santos na Vila, mas é justamente por isso que chamamos teste, não é mesmo? E por falar nisso, para um saliente Dagoberto foi a melhor experiência da tarde, marcando duas vezes e com categoria. Abriu os trabalhos. Que bom.