terça-feira, março 27, 2012

GIGANTE – PARTE I

No início de 2009, recém chegada ao Conselho Deliberativo do Internacional, busquei atividades relacionadas ao Patrimônio e, por conseqüência, ao grande tema em andamento: a reforma do Beira Rio. Sabia pouco sobre o projeto, algumas imagens e vídeos da Hype. Conhecia alguns estádios europeus e por conta da arquitetura, entendi que esta poderia ser uma contribuição para o clube.

Tive a iniciativa de montar um grupo de trabalho dentro do Movimento ao qual pertencia e desse grupo saiu um Projeto para Comissões do Conselho, ligadas ao Patrimônio. Propunha mais duas, além da tradicional (Obras): uma de Plano Diretor e outra de Conforto e Segurança. O projeto não foi levado adiante pela mesa do Conselho, mas o então Presidente Luiz Antonio Lopes me fez o convite para integrar a Comissão de Obras daquele mandato, o que aceitei com entusiasmo.

A Comissão produziu um relatório sobre o andamento do Projeto Gigante Para Sempre, sendo entregue ao Presidente Lopes. No final daquele ano ainda levei ao conhecimento da Comissão e Presidência do Conselho um relatório complementar. O conjunto dessas linhas versou sobre Escopo, Negócio, Gerenciamento e Projetos FIFA/Legado. Avaliou metodologia e andamento. Apresentou questões levantadas e sugestões de encaminhamento. Nos primeiros meses de 2011, com a eleição da nova mesa, os trabalhos desse grupo se encerraram.

Não apenas a eleição para a Presidência do Conselho sacudia as estruturas políticas do Inter, mas também (e principalmente) os debates em torno do Modelo de Negócio da reforma do estádio. De um lado a estrutura vigente, autofinanciável. Do outro, a alternativa de parceria estratégica. Em paralelo, a retomada de temas anteriores - desviados do Conselho e determinantes na formação dos princípios de projeto, tais como: reforma & estádio novo; Copa & Clube.

A Gestão Giovanni Luigi apresentou parâmetros de conteúdo e forma para o Modelo de Parceria Estratégica:

(O que fazer)

- Sediar a Copa do Mundo de 2014;

- O Clube não assumir riscos de variação do orçamento;

- Dar conforto à FIFA, com as garantias financeiras do negócio;

(Como fazer)

- Contratação de uma Consultoria técnico-financeira e auditoria;

- Contratação de assessoria jurídica;

- Constituição de uma Comissão de Obras do Executivo.

Em 21 de março de 2011, o Conselho Deliberativo aprovou por unanimidade a mudança do Modelo de Negócio de Autofinanciamento para Parceria Estratégica e impôs quatro condições:

1) Garantia de ampla concorrência;

2) Que sejam asseguradas as garantias exigidas pela FIFA;
3) Contratação de consultoria especializada;
4) Agenda de acompanhamento do Conselho Deliberativo.

O Presidente Luigi aceitou as solicitações e nomeu a Comissão ao final da assembléia. Entre os treze integrantes, estava esta que vos escreve. Daquela noite em março de 2011, até à manhã do dia 19 de março último, estive absorvida pela missão de auxiliar na escolha da parceira e consequente formulação do contrato de parceria.

Acredito que o Beira Rio reformado é um princípio de projeto vantajoso para o Clube. Não vejo Autofinanciamento como devaneio, muito pelo contrário. Mas votei pela mudança de modelo e dei um duro danado pra ver o Inter fechar esse negócio. Estas e outras razões irei transcrever nos próximos dias.

- Comissão de Obras do Conselho Deliberativo, gestão 2010/11:

João Patrício Hermann, Cassio Trogildo, Tiago Issa, Charles Mentz e Diana Oliveira.

- Comissão de Obras do Executivo, gestão 2011/12:

Luiz Anápio Gomes, Maximiliano Carlomagno, Diana Oliveira, Cassio Trogildo, Humberto Busnello, Ronaldo Bolognesi, Geraldo Dacamino, José Granja, José Aquino Flores, Keller Clos, João Patrício Hermann, Pedro Paulo Zachia e Frederico Gerdau.