quarta-feira, dezembro 16, 2009

Técnicos estrangeiros no Colorado

Com a contratação de Jorge Fossati, o Internacional volta a apostar em um técnico estrangeiro para comandar a equipe. Por isso, vale a pena lembrar o estrangeiro pioneiro na função de técnico do esquadrão alvi-rubro.

O primeiro estrangeiro a comandar a equipe colorada foi o uruguaio Ricardo Díez. Seu nome verdadeiro era Emetério Seledônio Díez, mas preferiu adotar o Ricardo por ser mais fácil de pronunciar. Ele começou a ganhar destaque no Brasil em 1937, quando levou o Santanense ao título gaúcho.

Em dezembro de 1941 Ricardo Díez estava treinando o Sport Recife, que começou uma excursão pelo sudeste e sul do Brasil. O Sport seria a grande sensação naquele início de 1942. Foram 17 jogos, 11 vitórias, 2 empates e 4 derrotas, enfrentando várias equipes poderosas.

Eis a campanha:
1x3 Flamengo RJ
5x1 América MG
0x0 Palestra MG (atual Cruzeiro)
4x2 Atlético MG
3x4 Santos SP
5x8 Juventus SP
1x2 Coritiba PR
1x0 Britânia PR
4x0 Coritiba PR
3x1 Coritiba PR
5x0 Savoia PR
5x3 Combinado Catarinense SC
3x2 Força e Luz RS
3x0 Grêmio RS
2x2 Internacional RS
5x4 Vasco da Gama RJ
3x1 Flamengo RJ

Na partida com o Internacional, em 04.02.1942, o prefeito da cidade, Loureiro da Silva, deu o pontapé inicial, tal a importância que a partida adquiriu. O Sport abriu logo 2x0, com gols de Ademir e Djalma, mas Carlitos diminuiu ainda na 1ª etapa. O 2º tempo foi amplamente dominado pelo Internacional, e Osvaldo Brandão, que fazia sua despedida (fora contratado pelo Palmeiras) empatou o jogo.

O time pernambucano era uma máquina, mas seu sucesso despertou a cobiça dos grandes clubes, e seu plantel foi desmanchado. O Vasco contratou o zagueiro Zago e os atacantes Djalma e Ademir Menezes. O resto do ataque dividiu-se pelos clubes cariocas: Flamengo (Pirombá), América RJ (Magri) e Fluminense (Pinhegas). O Internacional tirou dos pernambucanos o goleiro Ciscador e o técnico Ricardo Díez.

No Colorado, Díez começou a freqüentar a várzea porto-alegrense, em busca de revelações. E encontrou Nena, que jogava pelo Paraná, do bairro Petrópolis, e que se tornaria um dos maiores zagueiros da história colorada.

Díez dava grande importância à preparação física, e já havia escrito matérias para jornais, sobre o assunto, muito antes deste tema virar moda. No Colorado, também realizou pela primeira vez uma bateria de exames médicos em todos os atletas, e organizou a primeira pré-temporada que mereceu ser assim chamada.

Em 02.04.1942 Ricardo Díez conquistou o Torneio Início, batendo o Nacional (3x0) e Cruzeiro (1x0). A sua estréia em partida normal ocorreria em 07.04.1942, no amistoso que marcou a inauguração da iluminação do estádio da Montanha.

Nas primeiras partidas do campeonato, Díez venceu o São José e o Nacional, e empatou com o Grêmio. Mas, de repente, pediu demissão, após treinar o clube por quatro partidas, sem derrota. O pivô da crise foi o craque Russinho.

Jogador de perfil amador, Russinho atuava por amor ao clube. Com uma situação financeira estável, doava boa parte de seu salário para funcionários e jogadores mais humildes. Por outro lado, não aceitava o regime de dedicação profissional que vinha sendo exigido dos atletas. Não participou da pré-temporada colorada, para poder participar dos Jogos Universitários, no Rio de Janeiro. Ao saber que não poderia jogar até fazer os exames médicos e realizar a preparação física da pré-temporada, Russinho ameaçou abandonar o futebol. Vários sócios começaram a se manifestar pela volta de Russinho ao time, e a direção apoiou o jogador.

Diante da pressão, Díez escalou Russinho contra o Nacional, e o atleta marcou um gol. Mas no dia seguinte, o técnico pediu demissão, por não aceitar interferências no seu trabalho. Dez dias depois, era contratado pelo Grêmio, onde atuaria até o fim da temporada. Em 1943 trabalharia no Guarany de Bagé, e em 1946 começaria um giro por Minas Gerais, treinando o América (1946) e Siderúrgica (1947). Em 1950 treinou o Atlético na vitoriosa excursão pela Europa, que valeu o apelido de “Campeão do Gelo”. Em 1953 treinou o Cruzeiro, mas foi no Atlético que destacou-se, com os títulos mineiros de 1954 e 1955. Ainda treinou Náutico, Santa Cruz e Central, de Pernambuco, e nos últimos anos de carreira os pequenos mineiros, Valério e Democrata. Ricardo Díez faleceu em 27.04.1971, em Belo Horizonte.

Apesar da sua curta passagem pelo Internacional, Díez sempre foi considerado, pela imprensa, torcida e jogadores, como o melhor técnico que o Rolo Compressor já teve, e também o primeiro “técnico de verdade” a treinar o Colorado.

O Internacional ainda teria outros técnicos estrangeiros, como o peruano Dario Letona, ainda nos anos 1940, os uruguaios Félix Magno e Pedro Rocha, e o chileno Elias Figueroa. Nenhum deles levantou um título oficial pelo clube. Que Fossati consiga quebrar esta tradição.

Partidas do Internacional dirigidas por Díez:
07.04 2x1 Cruzeiro – Amistoso – Montanha
12.04 5x2 São José – Campeonato Municipal – Timbaúva
19.04 1x1 Grêmio – Campeonato Municipal – Timbaúva
29.04 6x0 Nacional – Campeonato Municipal – Montanha