Quarta-feira, 13:10.
O moleque Taison despertou pra vida há alguns jogos, sempre entrando no decorrer da partida, não decepciona. Assim o fez em jogos do Campeonato Brasileiro passado e, com autoridade, na final da Sulamericana. No último domingo seu ímpeto foi determinante, entrou em campo pra marcar duas vezes e mostrar aos “macacos velhos” que corre espelhando D’Alessandro, mas luta com personalidade própria.
Mais que o bom momento do garoto, valeu o cuidado que teve a comissão técnica com a ascensão gradual do jogador. Taison foi solicitado pela torcida diversas vezes, mas vem se afirmando à medida que se sente a vontade, seguro. Isto é postura que vem de cima e digna de reconhecimento.
Hoje, o menino “petulante” idealiza suas jogadas, gols, sua vida futebolística cheia de anseios e entusiasmo. Igual a tudo na vida, o começo vem repleto de sonhos e a rotina revela os infortúnios. O pior deles para um criador é a falta de inspiração. Não se sabe dizer muito bem o motivo, nem quando acontece. Talvez exista um, mas talvez nenhum. O fato é que um dia sempre nos passa e há de acontecer com nosso novo tesouro alvi rubro, ninguém escapa. Espero que tarde a chegar e dure pouco, pois a tortura desse vácuo massacra tanto um determinado quanto a falta de amor, ainda que este lhe cause dor, para um apaixonado.
Não sei que conselho eu poderia dar a um sofredor deste mal, pois perdi a minha, ando procurando por todos os lados. E não acho. Os arquivos salvos por data são uma farsa, estão no computador como se um texto ali existisse. Basta, porém, abrir para flagrar duas ou três linhas pessimamente escritas, sem qualquer brilho, parecendo um cão perdido.
O que talvez me tranqüilize é que volta sem nenhum aviso, simplesmente reaparece. Aguardo a partida de logo mais e, quem sabe, alguma travessura eloqüente do menino tão cheio de vida, que só não invejo porque meu coração colorado lhe tem que prestigiar.
Quinta-feira, 08:37.
Acho que eu devia ter ficado quieta, talvez a falta de inspiração seja como a epidemia de Ensaio sobre a Cegueira... Contagiosa.