Eu escrevi poema em sua homenagem, já declarei minha devoção, ainda que insana. Ouço calada e contrariada os gritos da social quando ele ameaça tocar na bola, aliás, já ouvi estes mesmos gritos em outros setores, seus desamores estão por toda parte do Beira Rio. Eu mesma já saí do gigante chutando concreto de raiva daquele monstro. É sério, eu tinha pavor dele, desafeto estilo Gabiru. Tu vês...
Durante a Libertadores 2006 resolvi aliviar, mesmo dizendo “é febre!”. Chegamos na final e reconheci o mérito no passe pro Sóbis. Nos meses seguintes eu passei a ser mais simpática, postura larga-do-pé, deixa o cara. E não é que no Mundial eu me entreguei? No momento em que vi o gol do Barça, juro que vi aquela bola entrando num cruzamento rápido pela direita. Ele deu o carrinho, salvando o sonho e firmando comigo um trato: “nunca mais te abandono Edinho, aconteça o que acontecer com teu desempenho formato derruba a cerca”.
Desde então assumi tal qual missão, que em momentos é praticament impossível, soltar o grito frente aos ataques verbais alheios: E-diii-nho, guerreeeiro!
Mesmo passando juntos os vários momentos difíceis, nem eu, que firmei palavra em 17.12.2006, ou qualquer outro tipo de discípulo, poderíamos crer que ele não somente se tornaria capitão, como também ergueria a taça de um título inédito na última temporada.
Acho que se o Edinho não existisse teríamos que inventá-lo, pra desconstruir paradigmas, quebrar tudo, pra ter graça, o ame ou deixe-o. A verdade é que provavelmente ele estaria na lista das primeiras dispensas do grupo 2005/06 de muitos torcedores e no entanto é um dos últimos dinossauros daquele grupo, quase literalmente; pré-histórico, extinto e seja de que parte, temido.
Nessa pré-temporada que mais uma vez especula sua saída ou não, volto a me assumir porque sempre é bom: adoro Claudinho e Bochecha, e o Edinho. Acho uma graça aquela música “quero te encontrar (...) você pra mim é tudo, minha terra, meu céu, meu mar”. Não sei se é mar ou ar, mas enfim, esta canção parece charme, o estilo da diferença pro funk, um anda bonito, o outro, elegante.
Claudinho e Bochecha foram pura elegância e Edinho, puxa vida, pra rima tosca posso dizer que foi perseverança, que bobagem. Se vai ou não e acredito que sim, não estou aqui (outra vez) pra dizer adeus. Trata-se de meu primeiro texto publicado no ano do centenário colorado. Estou mais antiga, não sei se mais sabida, mas venho quebrar o silêncio de 2009 e quer saber, se eu fosse o Edinho cantava.
Mas que nada, sai da minha frente que eu quero passar...