terça-feira, novembro 29, 2011

Conversas mais ou menos reais...

pré.s: Galera, qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência. ;-)

"Está tudo errado!", disse Pedro a seus amigos João e Rubens. Colorados que eram, o assunto só podia ser o Inter. Pedro estava revoltado com o rumo que as coisas tomaram no seu clube do coração, tanto em campo, como fora dele, e reclamava, muito. "Precisamos de mudanças profundas no clube", dizia. João e Rubens, por outro lado, faziam o coro moderado. "Veja bem, Pedro, você tem que olhar as coisas de modo mais amplo, cara. Tem que lembrar da década de 90, velho. Aquilo sim era o inferno!", disse João.

Rubens continuou, "Isso mesmo. Aliás, acho graça dessa galera que reclama por não vencermos tudo. Até parece que futebol é jogo de um time só, que não há outros que também querem vencer, que investem, que treinam. Cara, o Inter é só mais um time e que até tem vencido muito mais que os demais grandes clubes". Pedro ouvia aquilo e do mais profundo do seu ser vermelho, se esforçava para entender aquelas palavras. "Olhar mais abrangente", repetia mentalmente, como que buscando um sentido para aquelas palavras que ainda não conhecesse.

"Olhar abrangente, vocês dizem. Muito bem, vou dar um olhar abrangente pra vocês", disse. "Quantos clubes no Brasil tem o orçamento mensal que o Inter tem? 3, 4? Quantos clubes no Brasil faturaram tanto quanto o Inter nos últimos anos? 3 ou 4? Quantos clubes no Brasil tem a estrutura e a organização que o Inter tem? 1 ou 2? Quantos clubes no Brasil tem uma base forte como o Inter tem?".

E continuou praticando seu olhar abrangente. "Esqueçam o último jogo. Olhemos para a série pós-LA2010. Vocês realmente acreditam que um clube na situação do Inter deve mesmo considerar 'normal' jogar um campeonato brasileiro como jogou em 2010? Vocês realmente acreditam que um clube como o Inter deve permitir que seus jogadores entrem para um jogo num mundial rindo do adversário? Isso é 'normal'? Vocês acreditam que é natural o time perder ou empatar praticamete todas as partidas em casa, em 2011? Acham natural que em todos os momentos-chave do ano, o time tenha decepcionado? Isso é natural para o Inter?"

Rubens e João estavam um pouco atordoados, mas João ainda insistiu, "Vencemos o gauchão e ainda lá no Olímpico". Pedro ouviu essa frase com tristeza. Estava claro que para boa parte da torcida, o Inter tinha que agradecer aos céus o momento auspicioso, pois o natural era ser o Inter de 90. Ter como único e maior rival o Grêmio. "Venceu o gauchão, é verdade. Contra quem, mesmo? Ah, o Grêmio. Esse que há 10 anos não vence nada? Que se tornou uma piada? Esse é o nosso grande feito? Esse é o momento-chave, em que os jogadores não decepcionaram? E vocês acham natural?", emendou Pedro.

"Nós temos que apoiar o Inter incondicionalmente", disse Rubens. Pedro se lembrou das aulas de história e dos momentos de apoio 'incondicional', como o nazismo, as ditaduras, etc. "Lamento, mas não concordo, meus amigos", concluiu. "O olhar abrangente de vocês é apenas complexo de pequenez, é baixa-estima e das brabas", afirmou. "Vocês é que ainda vivem 90 em todo seu fulgor e intensidade. Por isso estão sempre felizes e prontos a justificar as cagadas do Inter. Afinal, pra quem tem sempre no horizonte a década de 90, o que vivemos hoje é realmente um sonho."

"E digo mais, exercitem seu olhar 'abrangente' e vejam que o Inter está numa descendente desde de 2006. Lembram por que chegamos a 2006 tão fortes? Por conta de um longo trabalho de formação, feito por Muricy, e pela estabilidade garantida pela direção de FC naquele período. O que vemos desde então? Continua o mesmo grupo na direção, mas não houve mais estabilidade no Inter. É troca de técnico a todo momento, são indefinições administrativas, são interferências absurdas de empresários no clube, só não vê quem não quer."

"Precisamos deles, é claro. Mas eles estavam lá, em 2005 e 2006. Mas a coisa funcionou. Por quê? Simplesmente, por que o Inter estava em primeiro lugar. Isso se chama 'gestão de prioridades'. Onde está nossa prioridade, desde 2007?". Pedro dizia tudo isso com uma inflexão triste na voz, onde a inconformidade quase não aparecia mais. Estava cansado disso tudo. Mas o amor pelo clube não o deixava se desligar dos problemas.

"Só mais uma coisa, pois é melhor mudar de assunto pra não azedar o dia", disse. "É bem possível sim, meus amigos, que o Inter em 2015 ou 2016 volte a ser 'aquele' da década de 90. No rumo que está, isso vai certamente acontecer. Mas, pra vocês, será um retorno à normalidade, certo? O sonho, pois é assim que o Inter está tratando este momento, tem que acabar algum dia, não é? O triste, é que não precisava ser um sonho. Ao contrário, se tivéssemos mais auto-estima, transformaríamos a década de 90 apenas num sonho ruim, num desvio da 'senda de vitórias' do Inter".

"Mas, é difícil. Tem muito colorado com complexo de inferioridade dentro e fora do Beira-Rio", finalizou.

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Sobre Bolívar: bem feito. Sim, o STJD pegou pesado por conta da mídia e não duvido de uma vontade de prejudicar o Inter que, neste caso, saiu pela culatra. Mas Bolívar tanto procurou que achou. É uma pessoa muito arrogante e está pagando por isso. E não pensem que me acho melhor. Falo isso, por que também já fui muito e já paguei muito caro na minha vida. Torço para que essa punição se mantenha e que seja a baliza para outras em situações semelhantes. O tombo, ainda mais quando é grande, ensina.