“Corajoso não é quem não tem medo, corajoso é quem segue em frente apesar do medo. O medo é um alarme fundamental em nossa vida, mas não pode disparar a todo instante e por questões que não coloquem verdadeiramente em risco nossa segurança. O medo deve ser um sinal de atenção e cuidado, nunca de desistência. Somos seres simples que, de tão simples, nos tornamos complexos. Complexos demais. Todos os outros animais na natureza reagem com base em seus instintos, mas nós, seres humanos, podemos refletir sobre nossos instintos. Nós possuímos a capacidade de pensar até sobre nossos pensamentos e sobre a maneira como pensamos.
Isso que aparentemente é nossa maior vantagem torna-se também nosso maior obstáculo, porque o papel da imaginação em nossas vidas modifica totalmente a realidade.
Há diversas situações com as quais todos nós temos que lidar no cotidiano, disciplinas essenciais na universidade da vida. E uma das matérias mais difíceis é ‘como lidar com o medo’.
A primeira lição fundamental é: não devemos nos culpar por sentir medo!
Se você começa a se culpar por estar sentindo medo só agravará o problema, porque além do medo estará incluindo o peso do sentimento de culpa, que é altamente destrutivo, muito mais que o próprio medo.
Não se culpe por sentir medo, todos os seres humanos sentem medo, inclusive aqueles que demonstram ser destemidos. Lembre-se sempre desta verdade essencial: corajoso não é quem não tem medo, corajoso é quem segue em frente apesar do medo.
A coragem não é a ausência do medo, mas a disposição de não permitir que ele impeça você de caminhar.
A segunda lição fundamental é: sentir medo é bom e importante.
O medo nos conduz a uma atitude de respeito e atenção diante dos desafios da vida. Na ausência do medo, nossos antepassados não teriam fugido dos predadores e a humanidade poderia estar extinta. O medo é um sentimento que busca nos preservar e nos conduzir a uma posição mais segura. O medo deve ser um sinal de atenção e cuidado, nunca de desistência. Desistir é entregar-se passivamente, sem direito à luta!" (Carlos Hilsdorf)
Transcrevo esse texto motivado por uma postagem no twitter do meu amigo Andreas Müller, na qual ele afirma que tem saudade de sentir medo do Grêmio. Pois isso me fez refletir a respeito.
Sun Tzu, em “A Arte da Guerra”, diz que a diferença entre coragem e medo é uma questão de configuração estratégica do poder. Perfeito!
O Grêmio se borra de medo de nos ver na Libertadores. Se borra de medo de tomar gol do Índio, do D’Alessandro e do Damião. O Vítor, coitado, nem se fala! Mas eles podem usar isso a seu favor. E nós, tememos o adversário?
Faço essa provocação porque nosso orgulho frente ao rival pode fazer com que não admitamos eventual temor. Temor bom, necessário até! Me preocupa uma postura soberba de quem nada teme, tudo ganha e só perde para si mesmo. Subestimar o adversário é o primeiro passo para a derrota. E preparar-se para minimizá-la pode antecipar sua consumação. Ora, não é o que queremos.
É preciso humildade para reconhecer as potencialidades do oponente. É preciso estudá-lo, valorizá-lo. É necessário entender que nosso adversário é aquele contra o qual jogaremos domingo, não os vizinhos de tabela. Estes jogarão seus jogos e não teremos qualquer poder sobre seus resultados.
Nosso adversário é o Grêmio, só ele! É a ele que devemos temer. Eles nos temem e virão ansiosos para nos bater. Vejam que interessante, aquela máxima de que o greNAL é um campeonato à parte nunca se aplicou tão bem. Para o Grêmio, tudo o que restou é nos vencer, nos afastar do nosso objetivo. Eles vêm institucionalmente focados nisso. Pois nós devemos esquecer de todo o contexto do campeonato. Nosso grande desafio é focar 100% no adversário direto, só!
Quem acha que o ano já foi nosso e isso basta, não deve ter medo de um resultado adverso no domingo. Quem acha que porque temos melhores jogadores, patrimônio próprio, maior número de sócios e tal e coisa, talvez nem dê bola para o jogo. Ou talvez apenas esteja buscando nesses argumentos desculpas para sequer encararem o desafio. Mas eu acho que é justamente pela nossa grandeza, bem como pela folha salarial do grupo de jogadores, que classificar para a Libertadores é um dever, uma obrigação. E portanto, tenho medo de não chegar lá.
Não tenho dúvidas de que esse medo nos é salutar. É preciso reconhecê-lo e dominá-lo, fazendo dele uma grande ferramenta de motivação. Quem aqui já não teve medo do São Paulo, do Boca, do Estudiantes, do Barcelona, do Milan, do Inter de Milão? Pois é, mas também é preciso temer os menores, pra acabar com essa sina de entregar pontos para times como o Ceará.
E aí, tu tá com medo?