terça-feira, novembro 17, 2009

Tão Diferentes, Tão Iguais

Mesmo com muita história, com grandes craques no passado e jogos memoráveis, há clubes que acabam vivendo, apenas, de suas glórias de outras décadas. Apesar disso, suas fanáticas torcidas não os abandonam jamais. Talvez, até, anos e anos de sofrimento façam com que a paixão pelo clube do coração se torne ainda maior, ainda mais intensa.

Não é fácil viver de passado, celebrar apenas a história, momentos nos quais grande parte dos jovens torcedores de hoje sequer viveram. Mais difícil ainda é ter que renovar a esperança de dias melhores sem ver seu time conquistando novos títulos de expressão. Pior que isso, mas recorrente em vários casos, é ter que conviver com as glórias do rival e com os tropeços nos clássicos regionais. Ainda assim, os grandes clubes sobrevivem, pois são alimentados pela paixão incondicional de suas massas.

Não vejo e, creio, nem verei tão cedo, alguém dizer que o Clube Atlético Mineiro seja um exemplo de gestão no futebol brasileiro. Interessante ver um clube que há tantos anos padece com a ausência de títulos de expressão, que não ostenta um grande quadro social e nem mesmo tem patrocínio na sua camisa de jogo, empatado em pontos com o Inter após decorridas 35 rodadas do campeonato nacional. Ambos os times têm 16 vitórias, 8 empates e 11 derrotas. A mesma campanha.

Sorte nossa que o segundo critério de desempate é o saldo de gols. Digo sorte, porque houve um campeonato em que a média de público era critério de desempate e, se assim fosse neste ano, perderíamos feio para o Atlético. Mas por quê?

Uma das explicações, talvez a mais determinante, foram os horários das partidas do Inter neste ano. Foram muitos jogos à noite, em meio de semana, durante o inverno que, neste ano, creio eu, foi mais frio, chuvoso e duradouro que os anteriores no Rio Grande do Sul. Além disso, nos jogos aos domingos, quase sempre estávamos na grade das 18h30min.

Mas outro fator determinante foi a expectativa inicial. Enquanto a torcida do Galo pouco ou nada esperava do seu time, na medida em que perdeu feio o estadual e saiu cedo da Copa do Brasil, a torcida do Inter esperava o melhor possível. O time ganhou o regional com o pé nas costas e chegou às finais da Copa do Brasil. Não foi à toa que o time foi apontado por quase todos os jornalistas do centro do país como favorito ao título no início do campeonato, embora alguns fizessem a ressalva: “Desde que não vendam o Nilmar em agosto”.

E isso, a meu juízo, explica também a grande média de público do Atlético diante da fraca presença de torcedores colorados no estádio ao longo do Campeonato Brasileiro. Enquanto uma torcida não tinha grandes expectativas iniciais, sendo surpreendido positivamente pelo seu time, a outra foi acumulando frustrações com um time que começou muito bem, liderou o primeiro turno, mas, literalmente, desmanchou-se no segundo.

Às vezes, quando vejo a torcida do Atlético no Mineirão, lotando o estádio e torcendo com gana, me lembro da torcida do Inter, no Beira-Rio, há alguns anos. Não era fácil, não sei dizer ao certo se sinto saudade, mas às vezes me questiono se não se perdeu um pouco daquela fome de vitórias, daquele ímpeto quase desesperado por um grande título.

O futebol é um grande negócio e o mercado da bola está cada vez mais inflacionado. Isso é fato e seria ingênuo e inútil remar contra a maré. Só não podemos nos esquecer de duas coisas. A primeira, é que o jogo se decide nas quatro linhas e é para lá que os recursos de um grande clube devem ser direcionados. Essa é a prioridade, sempre. A segunda, é que futebol é feito para a torcida. De nada adianta um grande estádio vazio, sem publico. Futebol é craque no campo e estádio lotado.

Não invejo o Atlético, longe disso! Mas em alguns aspectos pontuais, neste ano, acho que podemos encontrar bons exemplos com os mineiros (http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=14806). Não sem antes, é claro, buscar três pontos no domingo em Belo Horizonte.