O último, aquele que adianta a bola pra tirar do marcador e mandar pro gol. É só esse toquinho que te falta pra desencantar, garotinho Nilmar. Na ansiedade, acabas dando esse toque mais forte do que deverias, então quando chega a bater na bola estás muito em cima do goleiro. E a danada sobe demais. E uuuuuuhhh!! Quase entra, mas passa sobre o travessão. Há também afobação nesse mesmo derradeiro e meticuloso toque, quando tentas tirar do goleiro, a tinhosa corre e sai pela linha de fundo.
Golden Boy, o substantivo bola não é feminino por acaso, somos assim mesmo, temperamentais. Da gente tudo pode se esperar. Dissemos sim querendo não. E não querendo sim. Quando parecemos dominadas, aí mesmo é que escapulimos. Quando aparentemente sob controle, aí sim é que te faremos correr.
Portanto, não escancara tanta inquietude, ela não há de se comover. Muito pelo contrário, desliza irritada de propósito e vê como ato de desespero pelo Possuir, quando gosta mesmo é do Conquistar. Por isso, deixa vir (a gente sempre vai, finge que não, mas vai) gira, domina e segue na tua costumeira velocidade. Contudo, nesse delicado segundo que precede o ato final, toca nela com sutileza que ela amolece, pára de fugir e te espera entregue. Não compete com a moça, não a subestima, reconhece a complexidade e mostra-te ao seu dispor. Faz isso com prazer que ela te devolverá em dobro.
Esse gol não sai porque ela não quer. Não há em ti uma garantia de dedicação a ela e sim, ao teu próprio ego. Pareces volúvel, pois não é o fato de ter, é manter. Ela por enquanto resiste para que sigas tentando. Permanecerá irredutível, quase indomável, até acreditar que mereces tal crédito. Escondida em suas peripécias de dona do campinho ela espera o último toque envolvente, sábio, seguro, exclusivo, para enfim (por sua natureza) deixar rolar.