terça-feira, outubro 25, 2011

De quem é a culpa?

Não sei se é influência do cristianismo (tenho uma certa fixação pela ideia), mas eu tenho a impressão de que sempre após um resultado adverso, a torcida fica à procura de um Judas pra malhar, ou de um Cristo pra botar na cruz. Dependendo do ponto de vista, concluo que dá na mesma. Pois a história se repetiu depois do empate com o Corínthians.

Não fiz nenhuma pesquisa de opinião, mas pelo que li e ouvi, o Muriel é a bola da vez. Ou porque não pediu mais um homem na barreira, ou porque demorou pra se mexer, ou as duas coisas. Tem quem ponha a culpa no Dorival, por não ter combinado que contra o Alex, sempre tem que ter mais que dois na barreira. Tem quem culpe o Jô (eu sempre culpo o Jô). Tem quem culpe o Oscar, tem quem culpe o Ricardo Teixeira, ou mesmo quem culpe a RBS. Ah, esqueci, eu também sempre culpo a RBS (sério).

Daí partimos para um novo nível de Judas ou Cristo. Queremos identificar em qual rodada perdemos os pontos que nos tiraram da disputa pelo título. Tem quem diga que foi neste domingo, muitos dirão que foi contra o Santos e um bem cotado (ou seria mal cotado?) é o jogo contra o Ceará, no Beira-Rio. E lembrando desses jogos, vai ter quem diga que foi culpa do Falcão e do Siegmann, ou, na verdade, é tudo culpa do Luigi, que a final, é o Presidente. Taí, acho que encontrei o culpado. Isso mesmo, é tudo culpa do Luigi! De fato, é!

Acontece que o líder é o responsável e, naturalmente, sobre ele recairá toda a ira da torcida em caso de frustração, ou toda admiração em caso de sucesso (esse aqui tá mais difícil, viu, Presidente!). É responsabilidade objetiva, não tem jeito. Não só objetiva, né, mas o fato é que dessa, o Presidente, seja quem for, jamais se escapa.

É assim mesmo, o campo manda! Não canso de afirmar que em 2008, se o Juarez não tivésse entregado o segundo turno de mão beijada pro São Paulo (alguém deveria ter lembrado disso no ano passado), e se o Nilmar não guardasse aquela bola no segundo tempo da prorrogação contra o Estudiantes, uma semana depois Cláudio Bier teria sido eleito Presidente do Inter, não Vitório Píffero reeleito. O que teria acontecido depois eu não sei, ninguém sabe. Mas que é assim que a banda toca é, disso eu não tenho dúvidas.

Então, pode a Andrade Gutierrez fazer como o Alex, cobrar uma falta aos 45 do segundo tempo e mandar a sede da Copa do Mundo em Porto Alegre para a OAS (não estou dizendo que vai acontecer, mas...). Mesmo assim, se o Inter terminar 2012 com um título de expressão e/ou vaga na Libertadores, sem que o rival citadino alcance algo parecido, o Luigi se reelege ou elege um sucessor por ele indicado.

Mas, e se... É, no futebol sempre tem o, e se... Só que aqui, não me refiro a um lance vencido, refiro-me ao que está por vir. Quem me garante que Leandro Damião ficará no Inter até dezembro de2012? Quem me garante que não estaremos em situação igual ou pior na tabela daqui a um ano? Quem me garante que venceremos a Libertadores do próximo ano (se lá chegarmos)? Copa do Brasil? Sul-Americana? Será que só o Gauchão resolve? E se nem o Gauchão a gente... (bate na madeira)

Então, é bom abrir os olhos! Se não depende mais do Inter “convencer” a Andrade Gutierrez a assinar com o clube (oi, Dilma!), é bom definir de uma vez essa questão e começar a pensar em futebol 24 horas por dia. A torcida agradece! Porque com Copa do Mundo na OAS e sem títulos no armário, a culpa recairá toda sobre uma única pessoa: o Presidente.

Certo ou errado, justo ou injusto, é assim que será. E como tá cheio de gente de olho na cadeira do gestor dos milhões que rolam no orçamento do Inter, candidatos não faltarão! Mas e se o futuro Presidente for pior que o atual? O que fazer? Ora, a mesma coisa: põe toda a culpa nele e segue o baile...