segunda-feira, outubro 31, 2011

A sorte e o juízo

É muito fácil ser comentarista de resultado.

Críticas são atenuadas perante uma vitória e exacerbadas no revés. O mesmo acontece com os elogios, em sentido contrário.

O time, recém-saído de uma vitória hoje, é dono de vaga de libertadores e provável tricampeão continental ano que vem. O mesmo time que ao perder 2 jogos seguidos na metade do ano teve seu calendário dado como encerrado.

Sob risco de ser taxado de corneteiro e ter meus argumentos desqualificados com teses como o que realmente importa é a vitória e que o time soube jogar com o regulamento debaixo do braço, irei destoar, e mesmo depois do ótimo resultado de ontem, fazer algumas críticas pontuais em relação ao que observo não apenas ontem, mas a algum tempo em nosso time.

O esquema com três volantes é um erro tático injustificável. Com a premissa de resguardar o sistema defensivo, isola-se o atacante dos meias e a equipe padece de equilíbrio. Como resultado, a bola não é retida no setor ofensivo, chamando o adversário para nosso campo e expondo a equipe à uma pressão que invariavelmente termina em sustos (e eventualmente gols). Tinga, um bom jogador, não tem mais vitalidade para fazer a terceira função, principalmente porque não detém capacidade de articular, e principalmente concluir (com precisão ao menos).

Taticamente, vi um primeiro tempo com Damião isolado, Oscar omisso, e o que considero o maior dos erros, os volantes jogando em linha, na maior parte do tempo em nosso setor defensivo. Com seus únicos dois articuladores marcados, sobrava como alternativa a saída pelas laterais, e que cá entre nós, sem me alongar muito, Sandro Silva, como jogador de lado de campo,acho que não farda nem na pelada que eu jogo aqui em Luanda na sexta-feira a noite…

Como resultado um primeiro tempo sofrível, insosso, difícil de assistir.

Outro erro é a política de improvisações, ainda mais quando ferem as características dos jogadores deslocados de sua posição de origem. Ilsinho, lateral-direito de origem, agora é meia, e ontem seria fundamental com sua saída qualificada pelo lado direito. No entanto, escala-se Sandro Silva, volante, visivelmente sacrificado pelo lado do campo, e muitas vezes com a incumbência da saída de bola e articulação ofensiva. #Genial

Por fim, gostaria de entender a política de contratações e reposições do plantel colorado. Quem é o reserva de Nei? Quem é a alternativa de velocidade à Zé Roberto? Porque Gilberto foi contratado a peso de ouro, inclusive entrando em leilão, se não é escalado em hipótese alguma? Porque iniciou-se o ano com Damião, Alecssandro, Sóbis e Cavenaghi e termina-se o ano com Damião, Damião e Damião? (Jô não conta, sorry!)

Em tempo, gosto do trabalho de Dorival Jr. A segunda melhor campanha do returno não mente. Entre seus acertos, a afirmação de Moledo, a defenestração de Mathias, Bolívar e Renan, e a recuperação do ótimo futebol de D’Alessandro.

A vitória ontem foi o típico caso de mais sorte que juízo. Basta pensar em como estaria o clima hoje caso o Inacreditável Futebol Clube não entrasse em campo aos 48 mins do segundo tempo.

Escalar um time com a nítida intenção de não perder pode eventualmente trazer três pontos como ontem, mas em hipótese alguma será uma constante e permitirá o clube sonhar com voos maiores. O mesmo Dorival, pelas entrevistas, parece ciente do pouco futebol apresentado, e espero eu, que não volte a cometer os mesmos equívocos. Nem sempre a sorte estará nos acompanhando.

Agora é ganhar, ganhar e ganhar do Fluminense. Sem três volantes, sem improvisações, e sem medo de ser feliz, por favor. Os nervos colorados agradecem.

Curtinhas irônicas:
1. A quantidade de passes errados no jogo de ontem, pelos dois lados, foi impressionante. Que espetáculo agradável de assistir!!
2. No Troca de Passes, do Sportv falaram que o Inter joga o melhor futebol de momento do campeonato. Não consigo acompanhar todos os jogos, mas imagine então o que as outras equipes (não) estão jogando!
3. Messi fez três gols pelo Barcelona, mas Neymar, o super-craque melhor do mundo mundial 100% brasilis fez quatro. Bela comparação. Agora só falta uns 4 campeonatos nacionais, uns 2 continentais, um mundial e uma centena de gols e atuações de gala pra ficarem mais parecidos.
4. O Levante era o líder do Campeonato Espanhol. Será que o futebol lá também está nivelado por baixo?