sexta-feira, maio 11, 2007

16 A importância dos títulos...

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ESCRITO POR RAFAEL SEVERO
Eu não sei quanto aos demais colorados, mas sempre penso no clube de futebol como um banco, onde a moeda corrente está no número de simpatizantes, sua torcida. Desse modo, podemos compreender melhor o fenômeno São Paulo (ou San Pablo, ou Pablito, como queiram...), que de duas décadas para cá tornou-se o clube mais vitorioso do Brasil. Conseqüência: passou a ser a terceira maior torcida do Brasil, e tudo indica que, a continuar nesse crescimento, em breve ultrapassará Flamengo e Curintia nas primeiras posições. Outra vantagem que o São Paulo passou a desfrutar com esse crescimento vertiginoso reflete-se nas cotas de TV, onde o clube abocanha, junto a Fla e Curintia, a maior fatia do bolo, pois a dita cota é avaliada conforme o apelo popular dos clubes. A fórmula do São Paulo é repetitiva, ou seja, entra ano, sai ano, lá está o clube paulista vencendo títulos ou pelo menos disputando-os até o final, sempre nas cabeças.

Bom, onde quero chegar? Quero chegar aqui bem perto, aqui na nossa aldeia, onde não podemos escapar da alça do nosso maior rival e vice-versa. Estou falando do Recreativo Portoalegrense. Pois bem, todo mundo sabe que o clude da Azenha popularizou-se demais dos anos oitenta para cá. E o motivo foi uma fórmula semelhante à do São Paulo, só que em menor escala, claro. O clube dos pijamas conquistou títulos importantes e em seqüência, enquanto o Colorado definhava na própria incompetência.

O resultado está aí, e embora seja difícil, temos de admitir que hoje as gazelas são em maior número no estado. Isso se torna evidente nos festejos de títulos, nas escolas, nas esquinas e nas demais manifestações ruidosas sempre que há jogos no Chiqueiro da Azenha. Até digo que o maior impulso ao crescimento do Recreativo se deve, e em muito, ao próprio Internacional, que administrado de forma catastrófica, amadora e pequena, levou mais de duas décadas para acordar e tentar recuparar o que é seu, ou seja, o título de clube mais popular do Sul do país.

É claro que os títulos do ano passado não fizeram o Inter recuperar sua soberania popular no estado, até porque isso leva anos até sedimentar, como aconteceu com o próprio Recreativo, mas que deu um impluso tremendo para o surgimento de novas gerações de colorados isso eu não tenho dúvida.

Por tudo isso é que vou revelar a vocês, meus irmãos de coloradismo, o quanto eu estou enfurecido com tudo o que está acontecendo esse ano com o Colorado. Ou melhor, irado, indgnado, inconformado, desiludido e estupefato com a inabilidade destes senhores designados para dirigir o clube. Esse seria o ano pra confirmar a nossa supremacia, o ano pra reforçar a força da marca colorada nas mentes de novos torcedores e de crianças que ainda não decidiram para qual clube torcer, ano de estabilizar o Internacional de forma definitiva como potência clubística da América do Sul e quicá do Mundo.

Mas ao invés de seguir a fórmula simples do São Paulo o que o Colorado fez? Seus comandantes não reforçaram o time campeão, não mandaram embora quem tinham que mandar, alardearam discursos enfadonhos e foram ridiculamente eliminados das duas competições (LA e Gauchinho). O pior é que a destruição não pára por aí: tiveram quase um mês pra contrtar reforços qualificados e o que nos apresentam? Douglão e Adriano Adap!!! Nada contra estes jogadores, mas o momento colorado exigia qualidade comprovada e o clube trás reforços pro time B!!! Francamente... Isso que o vice de futebol desabafou recentemente, dizendo que agora a coisa ia ser a seu modo e blá, blá, blá... Sei lá, mas esse momento do clube me lembra muito as décadas perdidas de 80 e 90...

E o mais triste é saber que tínhamos tudo pra recuperar ainda mais o tempo - e a torcida - perdido nessas décadas sombrias, mas parece que as cabeças do Beira-rio não possuem capacidade para sustentar o clube no topo. Enquanto isso, temos que agüentar, há um mês, duas festas azuis por semana e, desse modo, arrebanhar mais alguns milhares de torcedores que com certeza seriam nossos. E pensar que o clube da Azenha recém saiu do inferno... E nós recém chegamos do céu... E eu fico aqui a pensar quantos milhares de torcedores se ganha com títulos e quantos se perdem com os fracassos. E invejo os milhares de quilômetros que afastam o Louis de todo esse inferno azul que se instalou aqui por essas plagas...