sexta-feira, setembro 25, 2009

MATA MATA ROUND 3

Hoje temos a TERCEIRA batalha no concurso para achar o novo colunista do Blog Vermelho. Um será eliminado e o outro continuará para o proximo round. Você decide. Candidatos por favor não revele seu nome até o fim do concurso e campanhas para amigos e familiares votarem é proibido. O Candidato PODE votar em si mesmo. Qualquer controversia será decidido por mim e pelos Bloguitas atuais do BV. Se der empate meu voto decide. Vamo lá então...boa leitura e deixem seus votos, opiniões e sugestões aos candidatos! Nesse topico apenas comentarios sobre os textos por favor. Off topic não será permitido e será apagado. Valeu!

Vamos lá.

Colunista #5

Eu te darei o céu, meu bem, e que tudo mais vá pro inferno!

Minha mãe foi diagnosticada com transtorno bipolar do humor há cerca de dez anos. Olhando para trás em nossas vidas, vasculhando as lembranças da minha infância e a do meu irmão, isso hoje faz todo o sentido do mundo. Os sintomas sempre estiveram lá: o estado de humor dela sempre foi uma oscilação constante entre um pólo de euforia e hiper-confiança e outro de depressão e descrença. “Equilíbrio” ela quase nunca apresentou; ou ela tinha os melhores filhos do mundo, a casa mais impecável, o futuro mais brilhante, ou então tinha a pior família, a situação mais precária, as perspectivas mais medonhas. Antes do diagnóstico, minha mãe viveu muitos anos em uma via expressa entre o céu e o inferno, sem direito a paradas intermediárias.

Diz seu médico que o transtorno bipolar pode ser hereditário, mas também pode ter uma causa desconhecida. Que nunca saberemos ao certo por que justamente ela desenvolveu estes sintomas, e não eu, ou meu tio, ou minha avó, por exemplo. Que algumas coisas simplesmente são. Mas eu tenho uma teoria a respeito. Em uma família cheia de colorados, minha mãe nasceu a única gremista, então a natureza resolveu compensar esta aberração fazendo com que minha mãe sentisse na carne o que o resto da família sente ao natural, sem causas bioquímicas, somente por torcer pelo Inter. Porque o colorado é antes de tudo um bipolar.

Para mim, o melhor momento de “Nada Vai Nos Separar” é aquela montagem paralela da cena do guri que conta que o avô desistia do Inter a cada semana em que ia para o Beira Rio com a cena do cara que conta que no final de cada jogo nos anos 90 ele ouvia um monte de gente dizendo “não volto mais!”. Ambas as histórias terminam do mesmo jeito, claro: passava-se uma semana e todo mundo voltava ao Beira Rio porque, “pois é, agora com esse jogador novo eu tô com esperança, eu acho que agora vai!”. Pode ser loucura minha preferir justamente este momento no documentário, com tanta cena histórica bacana, com todo aquele depoimento do cara mais azarado do mundo (“e o Fernandinho lá, trabalhando” virou bordão na minha casa depois do filme), com O Gol, com tudo o que faz parte da nossa saga como torcida. Mas sei lá, foi naquele momento que eu mais me identifiquei como sendo alguém que faz parte desta massa colorada: eu já desisti do Inter algumas centenas de vezes na minha vida, e eu aposto que tu aí do outro lado do monitor também já fez isso um número semelhante de vezes. E a gente faz isso porque isso faz parte desta nossa bipolaridade que é torcer pelo Inter.

Porque para um colorado, uma derrota não é só uma derrota: uma derrota é a prova cabal de que este time não presta, que com essa direção que está aí nós não vamos nem até a esquina, que a segundona nos espera como um destino inexorável. E uma vitória também não é só uma vitória: uma vitória é um triunfo quase militar, um sinal inequívoco de que não vamos perder mais nenhuma e neste ano seremos campeões de tudo o que estiver disponível no mercado de taças de futebol. Um bom colorado, daqueles mais apaixonados, fica emburrado quando o time joga mal, promete parar de pagar sua mensalidade de associado, e resolve abandonar o nobre esporte bretão para sempre; e assim o faz com uma sinceridade comovente, com uma dor no olhar e com a voz tão embargada que não há quem não acredite nas suas reais intenções, porque ele mesmo tem plena convicção de tudo que diz naquele momento.

Mas aí ele resolve acompanhar o próximo jogo meio que de longe, ressabiado, quando o time tira forças de algum lugar e consegue jogar bem. E ele então, em êxtase, vai para a janela e grita bem alto para os vizinhos gremistas ouvirem que este é o ano, que o Inter é o melhor time de todos, e que ele nunca deixou de acreditar. E mais uma vez não tem como duvidar do que ele diz; aquele brilho no olho, aquela certeza que ele tem do que está dizendo é a mesma que ele tinha quando na semana passada prometeu nunca mais se exaltar deste modo com o Internacional.

Para um colorado, como eu e tu, o Inter é simultaneamente o melhor e o pior time do mundo. Fernando Carvalho tanto pode ser um deus quanto um pateta mercenário, em geral ambos, e ao mesmo tempo. O Beira Rio, construído onde antes só havia água, é motivo de orgulho, mas tem os mais odiosos defeitos que um estádio de futebol pode apresentar. Nossos jogadores são ora guerreiros, ora pernas de pau, sem meio-termo. Nosso destino será o mais glorioso de todos, ou então cairemos para uma subclasse do futebol brasileiro e de lá jamais retornaremos com vida. Nossa torcida é mais maravilhosa do Brasil, quiçá do mundo, mas também é profundamente irritante e "ainda bem que eu não ando com esses corneteiros!". Nossos astros cintilam num céu sempre azul, mas temos certeza que o inferno está logo ali, e ele é vermelho, vermelho como nosso pavilhão. Isso não pode ser só coincidência.

E então, bipolares que somos, por gosto, por temperamento, por hábito ou por paixão, temos que ouvir o seu Adenor pregar o “equilíbrio” como palavra-chave para chegarmos lá. Equilíbrio, seu Tite? Sério? Tu tem noção onde tu te meteu? A gente conhece euforia, e a gente conhece depressão, e a gente conhece os dois ao mesmo tempo (às vezes durante a mesma partida, e com relação ao mesmo jogador), mas equilíbrio é um dos termos mais alienígenas no vocabulário colorado. Boa sorte tentando colocar isso em prática no Beira Rio. Tomara que dê certo. Eu não acredito. Mas eu acredito muito!

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Ah, e quanto a minha mãe: está bem, medicada, faz terapia, seu humor oscila bem menos. Inclusive, tem feito vários planos para o futuro, apesar todos notarem que ela não tem saído muito do lugar (menos ela, é claro). Resumidamente, tem sido cada vez mais gremista. Mas é como diriam naquele velho episódio do Chaves: “tem saúde, é o que importa”.

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Colunista #6

Internacional é campeão brasileiro de 2009

Após 38 rodadas o colorado gaúcho confirmou o que todos esperavam, o título é vermelho.


Um favoritismo unânime desde o começo do ano, um time que passou por desconfianças, momentos de incerteza, mas que nunca deixou de estar entre os 4 primeiros. Os torcedores colorados, mesmo os mais exigentes, que se acostumaram aos títulos seqüenciais desde 2006, sentiam em seu âmago a chama da confiança que soprava em seus ouvidos: desta vez é nosso! E foi mesmo, incontestável, indubitável. O Inter simplesmente se consagrou como o time dos anos 2000. Não é mais permitido temer somente o São Paulo no país, agora existe um grande adversário vermelho que vem do sul como os fortes ventos de agosto. Um verdadeiro rolo compressor de plástica, beleza e raça. E aliado à sua imensa torcida fanática, extremamente participativa e apaixonada, o Rio Grande se tornou um território colorado em que os inimigos conhecem suas derrotas e depois, visivelmente assustados, têm que admitir: “É quase impossível resistir ao Inter no Beira Rio”.

A vitória contra o Santo André por incríveis 8 x 1 são um toque de mística que permeia a camisa vermelha nesses últimos anos, pois Caxias e Juventude sofreram o mesmo incrível placar nas finais do campeonato gaúcho de 2008 e 2009. O Inter parece gostar de finais, de humilhar seus adversários. E os reveses sofridos na Copa do Brasil e na Recopa só enfureceram o Gigante que rugiu ainda mais alto. Pois o estádio ajudou o Colorado a seguir destroçando os adversários e a construir o melhor ataque da competição com 104 gols feitos, a defesa menos vazada com apenas 35 gols sofridos, e o artilheiro com 29 gols. A nova jóia do Beira Rio, o garoto Tyson. Não é por acaso que 8 jogadores do Inter fazem parte do time da seleção do campeonato. E não seria nenhuma surpresa se Edu e Lauro também integrassem essa lista, mas como desbancar o prestigio de Ronaldo Fenômeno e o pentacampeão Marcos?

Visando conquistar o mundo novamente, o Presidente Vitório Píffero garantiu, durante as comemorações, que a nova premiação do campeonato e os 136.000 associados lhe dão a certeza de afirmar: “Ninguém sai o Inter em 2010. Esse é o time que levantará o mundial em Dubai no final do ano que vem”. Palavras que simplesmente levaram a nação colorada à loucura em um Beira Rio completamente lotado. Assim como em 2006 o capitão foi o maestro, Guinãzu entoou o coro que emocionou o Brasil, “Minha Camisa Vermelha”, eleito o melhor grito de torcida do país pela Revista Placar, que foi cantado em uníssono pela massa extasiada com mais essa conquista. O Internacional é tetracampeão brasileiro de futebol.