quarta-feira, outubro 07, 2009

Há 30 anos

No dia 7 de outubro de 1979 o Internacional foi a campo, no Beira-Rio, para enfrentar o Grêmio, em partida válida pela 4ª rodada do campeonato brasileiro.

A torcida colorada estava desconfiada. Não havia passado um mês ainda do término do campeonato gaúcho, vencido pelo rival com uma larga vantagem sobre o Internacional, que ficara em 3º (e, na época, era inaceitável um dos grandes ficar atrás de um clube do interior).

No campeonato brasileiro, ainda não tinha ocorrido uma atuação de encher os olhos da torcida. Na estreia, um 0x0 com o Atlético Paranaense, em Curitiba. Depois, uma vitória de 2x1 sobre o Santa Cruz, em Recife. Na terceira partida, um magro e frustante 1x0 contra o Figueirense. Enquanto isso, o rival havia goleado o Coritiba (4x1), Sport (4x0) e Operário MS (3x0), tendo empatado em 0x0 com o Rio Branco.

O Grêmio entrou em campo confiante. Estava invicto há 34 partidas, e chegou ao ponto de dar férias ao seu técnico, Orlando Fantôni, depois do título do Gauchão. No campeonato brasileiro a equipe estava sendo comandada pelo preparador físico Ithon Fritzen.

Nas escalações, vantagem gremista também. O Tricolor estava com o time completo, enquanto o Colorado jogava desfalcado de Batista, Valdomiro e do recém-contratado Bira, todos lesionados.

Em campo, porém, a situação foi outra. O Internacional foi sempre superior ao rival. Um meio-campo extremamente habilidoso, com Jair, Falcão e o falso ponta Mário Sérgio tocando a bola, enquanto Toninho, um jogador mandado embora do Grêmio, destruía as tentativas de ataque do Tricolor.

Na defesa, os zagueiros Mauro Pastor e Mauro Galvão (mandado embora das categorias de base do Grêmio) seguravam os bons atacantes gremistas. O que passasse por esta muralha, ficava nas maõs de Benítez. João Carlos (pai dos gêmeos Diego e Diogo) neutralizou Éder e seus potentes chutes e cruzamentos. Cláudio Mineiro, além de abafar Tarciso, ainda encontrava tempo para apoiar o ataque.

No setor ofensivo, os reservas Adílson e Chico Espina (outro dispensado do Olímpico) incomodavam a defesa adversária. Mas a partida parecia se encaminhar para o 0x0. Porém, aos 43 minutos do segundo tempo, falta para o Internacional. Era próxima da entrada da área, e poderia sair uma cobrança direta. Mas Falcão decidiu cobrar, rolando para Jair, que tinha um chute forte. O "Príncipe Jajá" pegou em cheio, a bola fez uma curva e enganou o veterano Manga: Internacional 1x0!

Era a primeira grande vitória daquela temporada, e também iniciou uma crise no Olímpico. Antes da partida, o rival sonhava com o primeiro título nacional. Após a derrota, as férias de Orlando Fantôni foram suspensas, e jogadores que estavam a disposição para negociações, como André e Iúra, foram reincorporados ao grupo.

A campanha no Brasileiro de 1979 foi marcada por irregularidades. Se, por um lado, goleou equipes como o Sport (3x0), Coritiba (3x0), Rio Branco (5x1) e Desportiva (4x0), por outro empatou em casa com equipes como o Operário MS (2x2) e Anapolina (0x0), além de vencer por apenas 1x0 o Goytacaz.

Somente a partir da 3ª fase o time realmente deslanchou, deixando claro que o título tinha dono. Goiás, Cruzeiro, Palmeiras e Vasco foram as vítimas na arrancada final para o tricampeonato. E se a campanha não foi tão brilhante como em 1975 e 1976, ficará marcada eternamente por ter sido invicta. O único título invicto em 39 campeonatos disputados (já contando 2009).

INT: Benítez; João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Toninho, Jair e Falcão; Chico Espina, Adílson e Mário Sérgio
Técnico: Ênio Andrade

GRE: Manga; Eurico, Vantuir, Vicente e Dirceu; Vítor Hugo, Jurandir e Leandro (Nardela); Tarciso, Baltazar e Éder
Técnico: Ithon Fritzen