quarta-feira, janeiro 27, 2010

+ Ousadia – Apostas = Títulos? Ou por que eu ainda sofro de amnésia

Libertadores no horizonte, gauchão enfadonho pela frente, mais um ano que começa e com ele se renovam as esperanças de um 2010 com títulos e nenhum Vice-Campeonato.

No protagonismo de um simplório apaixonado por futebol, que aparentemente não conhece nada dos bastidores do poder e das entranhas e melindres que regem o dia-a-dia de um clube de massa, profetizei: 2010 seria o ano da ousadia.

A profecia, decorrente de ingênua observação era alicerçada no simples fato que 2010 marca eleições, e como é de conhecimento de todos, o sócio vota, e talvez uma boa parcela dos mais de cem mil colorados pensa como este que vos escreve: o modelo de gestão é inteligente, o clube tem avançado, mas é necessário oxigenação.

Oxigenação senão de pessoas, de ideias. Ambas não são mutuamente exclusivas.

A política é a arte da negociação e do relacionamento.

Tal como nossos estimados governantes em épocas pré-eleição, que não se cansam de inaugurar obras, estradas e divulgarem projetos mirabolantes de infra-estrutura, 2010 seria o ano de colocar em prática a política do “pão-e-circo”: grandes reforços e grandes investimentos no futebol.

Não existiria artifício maior para “divertir” a torcida do que um ou dois reforços incontestáveis, aqueles que lotam o aeroporto. Nos meus devaneios, sonhei com Tinga, Sóbis, Vítor (baita lateral), Ricardo Oliveira, Alex Silva, Kléber Gladiador, Keirrison, Palácios…

Não se iludam, o povo ama o pão, e acima de tudo ama o circo. Nossos dirigentes seriam colocados em um pedestal: eventuais fracassos seriam respaldados por investimentos ousados, ainda mais em ano de libertadores, sonho de 10 entre 10 colorados.

Senão uma atitude corajosa, planejar o ano sem dar o circo ao povo é uma atitude de convicção da direção.

Convicção em apostar em nomes nos quais a torcida não confia.

Convicção em apostar no florescimento de jovens promessas que talvez, apesar da qualidade técnica, não estejam capacitados a assumir o papel de protagonismo.

Brilhantemente, o Louis e o Daniel Chiodelli demonstraram nos posts anteriores que nem tudo que reluz é ouro.

Um time campeão é feito de coesão, de trabalho duro e obstinado, sem jamais esquecer a qualidade e a competitividade.

Nomes e currículos não ganham títulos, não entram em campo, não decidem jogos.

Em 2006, a convicção directiva era que mesmo sem reforços de peso, o plantel era de qualidade e a conquista era possível. Contra tudo e contra todos, a convicção se mostrou correta e o resultado está escrito na história.

Em 2007, mesmo após o desmantelamento protocolar de peças chaves em relação ao ano anterior, a convicção vigente era que a grife de “campeão do mundo” bastaria por si só, e o resultado foi um claro erro de avaliação técnica de inúmeros jogadores, bem como falta de planejamento.

2008 e 2009 são o resultado da convicção em um modelo de fortes investimentos na compra e venda de jogadores que impedem uma continuidade do time, que acaba por ser refeito a cada janela de transferências.

Só o tempo dirá se o aparente marasmo e inapetência de nosso clube serão resultado de uma convicção frutífera (tal qual 2006) ou se estamos frente a uma anunciada reprise de filme monótono, algumas vezes entusiasmante, mas que sempre acaba com um final triste (para os colorados ao menos).

Eu, nestes momentos, sofro de amnésia. Recorrente, diga-se de passagem.

Agarro-me a um otimismo descabido, que não combina comigo e é mais forte do que minha razão.

Assim, sobrepujado pela emoção, contra tudo e contra todos, sem ligar para as perspectivas, sigo acreditando. Talvez o Alecssandro comece a empilhar gols, o Edu mostre a que veio, o Mathias seja mesmo espetacular, o Índio volte a ser Índio…

Sou feliz assim. Sofro de amnésia, sigo acreditando.

E acima de tudo, cada vez mais apaixonado por este colorado.