No dia 05 de Janeiro, a torcida colorada de Bento Gonçalves fez uma bela festa para receber a delegação colorada que chegava na cidade. Eis que ao amanhecer, o ato de alguns problemáticos (pretensos "colorados") resultou em grave prejuízo ao Internacional que poderia ser amenizado por gesto bastante simples de seus dirigentes.

Ao perceber um primeiro sinal de vandalismo praticado por seus torcedores, a reação imediata e natural deveria ser uma declaração pública dos representantes do Clube afirmando que:
- Quem promove vandalismo, não é colorado;
- Que esporte não é espaço para violência;
- Que a rivalidade é esportiva e, fora de campo, Inter e Grêmio são parceiros em diversos negócios, vide, patrocínios e pontos de venda;
- Que o S.C. Internacional sente-se envergonhado pela situação e, por fim;
- Que (o mais importante) irá responsabilizar-se e pagar pela recolocação do "outdoor" gremista em respeito à Prefeitura da Cidade que acolhe os clubes todos os anos;
- Que o prejuízo causado pelos tais problemáticos equivale a mensalidade de X sócios;
Tal atitude seria uma contribuição positiva para a imagem do Internacional e repercutiria até em nível nacional, além de altamente educativa e inteligênte. Mas, não. A Diretoria do Inter omitiu-se e não previu o óbvio: agressão sempre gera reação. E foi o que aconteceu.
Lamentável que ANTES de acontecer a reação, além da falta de manifestação enérgica condenando a atitude dos problemáticos, não haja segurança em frente ao Hotel Dall'onder, onde está o Inter, o que deveria ser preocupação tanto da Dupla, como, principalmente, da Prefeitura da Cidade que ganha destaque nacional por receber esses visitantes ilustres todos os anos.
Se fossem inteligentes os representantes eleitos do município de Bento Gonçalves, deveriam bancar a hospedagem dos Clubes, quem sabe até construir um estádio para 10 mil pessoas, para os amistosos da Dupla, com contrato de 5 anos, renovável por mais 5, para garantir o investimento. Seria um baita negócio, para fazer da pré-temporada mais uma oportunidade de marketing e ainda superavitária para os Clubes, como fazem aqueles clubes da Europa que compram rindo os craques que perdemos chorando.
A solução sugerida por Fernando Carvalho é como dar ganho de causa para os guris baderneiros: "Infelizmente, vamos ter que procurar o Grêmio para não realizarmos mais a pré-temporada na mesma cidade" – disse ao Globoesporte.com. E o tal apoio da Prefeitura que a Dupla não consegue junta, os Clubes teriam que buscar sozinhos. É a antítese do bom negócio, aquele em que todos ganham, pois todos sairiam perdendo.
Mas para superar em falta de criatividade a sugestão do nosso VP de Futebol, o equivalente gremista, Luis Onofre Meira, saiu-se com essa pérola:
– Eu não tenho acompanhado muito, li pouco a respeito. Mas isso é uma coisa normal entre os torcedores.
Em comum, o catatonismo, a falta de criatividade, a submissão e a preocupação zero em usar a força da Dupla para ações de marketing positivas e afirmativas de uma cultura de paz e empreendedora de grandes negócios. De positivo, a leitura correta da situação por parte do novo assessor de Futebol, Roberto Siegmann: "É importante que se diga que, além de um evento esportivo, é um evento que movimenta economicamente o município. Esporte é alegria, congraçamento, essas manifestações vão em prejuízo das instituições. Temos uma relação cordial com nosso adversário. Futebol envolve famílias".
Potencial de violência existe em todo lugar, a gritante diferença é que nos países mais desenvolvidos previne-se contra a violência por saber como é negativa para a imagem do futebol, enquanto que aqui só há reação depois que o estrago já está feito e ainda acham "normal". É a mesma atitude da Brigada Militar que Gre-Nal após Gre-Nal negligencia a segurança nas áreas divisórias entre as torcidas, deixam a provocação rolar solta, e só aparecem para coibir a violência, com mais violência, depois de o estrago já estar feito.
Esses que pensam ser "normal" a violência associada ao esporte, devem ser os mesmos que acham "normal" os estádios vazios.
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Já escrevi aqui no Blog em Setembro de 2008 sobre um episódio parecido, em escala maior por ter ocorrido dentro do Beira-Rio, mas, como se vê, NADA mudou: