terça-feira, janeiro 05, 2010

Seu Jorge

Foram muito boas as primeiras impressões do treinador colorado contratado para 2010. Não se trata de uma pseudocelebridade do mundo da bola. De um tempo pra cá, técnicos de futebol ganharam um status meio exagerado a meu juízo, sem contar nos salários. Mas não parece ser o caso de Jorge Fossati, ao menos a primeira vista. Mesmo assim, apresenta um bom currículo recente, campeão da Recopa e da Sul-Americana com a LDU, venceu o próprio Inter e conhece muito bem o futebol latino-americano, sobretudo uruguaios e equatorianos.

Esse cartel me parece importante para qualquer profissional que se cogite para treinar o Inter. Qualquer vestiário de grande time brasileiro é, naturalmente, um moedor de carne. O colorado, especialmente depois de 2006, é um Master Plus. É o vestiário Campeão de Tudo, onde um jogador desconhecido já chega do México adjetivado pelo dirigente mais vencedor da história do clube como um reforço espetacular. Se isso poderá (e vai) lhe causar dificuldades decorrentes de uma imensa e intensa cobrança, também vai lhe dar um certo poder de barganha na hora das disputas internas. E Fossati vai ter que administrar isso. Isso e muito mais.

Em tese, Fossati parece qualificado para o desafio que se lhe apresenta. Ainda em dezembro, quando de sua apresentação oficial, surpreendeu por suas declarações iniciais, num português bastante claro, demonstrando bom conhecimento quanto ao grupo de jogadores colorados. Demonstrou humildade ao dizer que ainda precisa melhorar seu português (fala melhor que muito brasileiro), mas acertou ao dizer que linguagem da bola universal. Agradou ao falar em conjunto, salientando que o indivíduo jamais se deve colocar acima do coletivo, caso contrário, não terá lugar no seu time. Sua fala é pausada, mas firme e direta.

Nas entrevistas que concedeu posteriormente, não pipocou ao afirmar que de nada adianta chegar o Wilson Matias se sai o Sandro. Também falou que o trabalho, mesmo, aquele que faz a diferença e que ele estava ansioso para começar, é no campo de jogo. E afirmou que, embora ele e sua comissão técnica estivessem analisando o grupo de jogadores por DVDs, é no contato direito que se conhecem as pessoas. Óbvio, mas é justamente isso que vem me agradando em Fossati. Não me lembro quando foi a última vez em que vi um técnico de futebol fazer o óbvio.

Ontem, ao se apresentar perante o grupo de jogadores, falou em família. Mais uma vez, gostei. Conviver em família não é fácil. É preciso administrar diferenças, dividir espaços, compartilhar objetos, etc. Há discussões, disputas, até mesmo brigas, mas tudo dentro de casa. Se alguém de fora mete o bedelho, todo mundo defende os seus, ninguém admite interferências alheias. E esse também deve ser, penso eu, o espírito reinante num grupo de futebol fechado, focado no mesmo objetivo.

Outra coisa que me agradou foram suas declarações a respeito do Inter B. Disse que quer esse grupo na pré-temporada, que quer fazer coletivos do time principal contra o B e aproveitar os jogadores que se destacarem. Interessante! Desde que surgiu o tal de Inter B, vi mais jogadores do principal serem escanteados para o grupo secundário que destaques daquele subirem para o principal.

Enfim, recém agora começa a preparação do time para 2010. O ano, pra valer, como quase tudo no Brasil, começa mesmo só depois do carnaval, daqui a cerca de 50 dias, em 23 de fevereiro, no Beira-Rio. Por enquanto, gostei bastante do que ouvi de Fossati, mas tudo é mera teoria. A prática, como ele mesmo disse, começa agora.

Vou dar meu voto irrestrito de confiança a Jorge Fossati. Acho que ele merece isso da torcida, da imprensa e do grupo de jogadores. Da Direção, bem, da Direção acho que ele merece mais. Acho que ele merece, no mínimo, um centroavante espetacular.