quarta-feira, janeiro 13, 2010

Uma fábula moderna: A Libertadores e o Centroavante

Uma velha máxima do futebol é que time vencedor tem que ter um grande goleiro e um grande centroavante. Atualmente, poderíamos dizer um grande atacante, sem necessariamente ser o centroavante tradicional.

Em 1980, quando o Internacional preparava-se para disputar mais uma Taça Libertadores, a primeira que daria maior valor (Falcão declarou à imprensa que o clube agora estava valorizando a Libertadores como se devia, colocando-a no mesmo nível que o campeonato brasileiro), discutia-se a necessidade de um novo atacante.

O Internacional fora campeão brasileiro invicto, em 1979, mas seu centroavante, Bira, não era unanimidade entre a torcida e dirigentes. Seus 8 gols em 15 partidas não convenceram. Muito se falava da necessidade de um novo centroavante, para o campeonato brasileiro e Taça Libertadores de 1980 (ambos no 1º semestre). Mas, em vez de um nome consagrado, Asmuz contratou duas jovens apostas: os centroavantes Adavílson (ex-Mixto) e Jones (ex-Internacional SC). Para piorar, o ponteiro-direito Valdomiro recebeu passe livre e foi mandado embora, atuar no Millonarios da Colômbia, junto com o centroavante reserva Mário.

Para a Libertadores, esperava-se que os gols de Bira levassem o Colorado às vitórias, ou que um dos novos contratados “estourassem” durante a competição. Havia também Adílson, outro reserva da campanha vitoriosa no Brasileiro.

Na estréia, contra o Vasco, no Rio, o Colorado começou no 4-3-3, com Adavílson, Bira e Mário Sérgio. Durante a partida, Adavílson foi substituído por um volante (Toninho) e Bira saiu para dar lugar a Adílson. E o jogo terminou 0x0 (Jair perdeu um pênalti). Nas duas partidas seguintes, Ênio Andrade optou por Adílson no comando de ataque, e adotou definitivamente o 4-4-2, com o meia Jair chegando junto ao ataque, atuando como um falso ponta-direita. Como já tínhamos um falso ponta-esquerda (Mário Sérgio), poderíamos falar até em 4-5-1. Na terceira partida (1x2 Deportivo Galicia), Adílson foi substituído por Chico Espina.

Nas duas partidas seguintes, Bira voltou à titularidade, sendo substituído em ambas por Adílson. O reserva se tornaria titular nas 4 partidas seguintes, alcançando grande destaque na vitória de 3x1 sobre o Vélez Sarsfield, no Beira-Rio, quando marcou os três gols. Contra o América de Cali, no Beira-Rio, onde o Colorado precisava apenas de um empate para chegar à final, a falta de opções para o ataque levou Ênio Andrade a escalar um time sem atacantes de ofício: Jair, Cléo e Mário Sérgio formaram o trio final.

Nas finais, novos problemas. Na 1ª partida, Chico Espina foi o titular, sendo substituído por Adavílson. Com a necessidade de vencer, na 2ª partida da final Ênio Andrade voltou ao 4-3-3: Chico Espina, Adílson e Mário Sérgio. O resultado final, todos conhecemos.

Várias análises posteriores apontam a falta de um atacante de qualidade naquela equipe. Jair, um meia, tornou-se o principal atacante colorado na competição. Nas quatro últimas partidas pela Libertadores, o Internacional não marcou um único gol. Nas horas decisivas, faltou o matador.

O ataque colorado marcou apenas 6 dos 14 gols colorados na competição. Adílson marcou 4 (três deles em um único jogo), Bira e Adavílson um, cada. Os demais gols foram marcados por Jair (2), Falcão (2), Cláudio Mineiro (2), Cléo e Tonho.

Isso me faz pensar... não será arriscado demais jogar uma Libertadores com um centroavante contestado (Alecsandro), um “veterano” que ainda não provou ser a solução (Edu) e jovens apostas (Walter, Taison e Marquinhos)? E atuar com um esquema excessivamente defensivo não é outro risco desnecessário?

As condições atuais são diferentes, mas espero que os dirigentes tenham aprendido lições com a história do clube. E ainda torço pela contratação de um atacante de qualidade.