quarta-feira, março 10, 2010

De Retrancas a uma nova esperança...

Retrancas e ferrolhos defensivos têm sido uma constante em Libertadores.

Times fechados, duas linhas de quatro, meio-de-campos congestionados, excesso de jogadores com características defensivas como principal característica.

Alguma especulação em jogadas de bola parada e tentativas escassas e fortuitas de um gol em contra-ataques

E este o modelo que vejo sendo implantado em nosso time.

Ao menos para esta primeira fase.

Três zagueiros, dois volantes (que por mais qualidade que têm não são pensadores), três a quatro supostos armadores (os dois laterais, um único armador, e um meia-atacante) e apenas um atacante, isolado na frente.

3-4-2-1, 3-4-1-2, 3-5-2, 4-4-2, 4-5-1, 3-6-1.

Os números não dizem nada.

O que importa é quantos jogadores são capazes de - além de desempenhar funções defensivas – se somarem aos jogadores de frente e participarem da articulação e definição ofensiva.

Edu parece sofrer de desleixo, Taison a muito perdeu seu ímpeto goleador, caindo demais pelos lados e concluindo pouco a gol e Walter, bom, este justamente no momento em que poderia brilhar…

Kléber e Giuliano, por características próprias, apesar da excelente qualidade técnica, sofrem de aversão a incursões na pequena área e conclusões a gol.

E ai reside o suposto desequilíbrio, que tem levado a algumas críticas ao sistema adotado até então.

O time padece de definidores e de ímpeto ofensivo.

Não obstante um único atacante, este as vezes recua em demasia para auxiliar na articulação pois qualquer marcação razoavelmente executada no Giuliano e no Kléber faz com que Alecssandro sofra de inanição.

E assim o time tem dificuldades de furar retrancas, pois falta um articulador para auxiliar nas tarefas de criação e se as laterais forem bloqueadas, apenas um lance ocasional ou um lampejo individual pode resultar em gol.

Se este é a melhor maneira de enfrentar uma competição copeira como a Libertadores, poderemos ter uma melhor amostragem amanhã.

Jogo difícil, onde somar pontos é essencial.

Este é o padrão de jogo, ao menos na primeira fase, onde é fundamental somar a maior quantidade de pontos possíveis para escapar de confrontos perigosos e obter a vantagem de decidir sempre em casa.

Creio que com o andar da carroça as melancias irão se ajeitar.

É possível sermos campeões com qualquer sistema tático, mas acho natural, e até mesmo inevitável um maior equilíbrio da equipe, com a retirada de um dos zagueiros e a adição de um atacante/armador.

Confio em Fossati, treinador experiente e conhecedor do futebol sul-americano.

E, apesar de algum receio com o futebol apresentado até então, resta-nos nada a não ser torcer e apoiar a equipe na reconquista da América.

Sei que todos gostaríamos de ter um atacante de exceção, mais um zagueiro confiável e uma dose maior de ousadia na formação do elenco.

Mas para quem já foi campeão com Michel, Adriano Gabiru e Rúbens Cardoso como jogadores titulares nas primeiras fases, acho que não custa nada ter esperança.

Afinal, a equipe que começa não é necessariamente a equipe que termina.