segunda-feira, março 29, 2010

Pedrada na bunda

Acompanhando a massa colorada, me desloquei da capital gaúcha para a fronteira, no dia 18 de março. Alegria geral, viagem tranqüila em ótimas companhias. Legal esse negócio de coloradismo, a gente faz amigos de verdade e com estes me mandei pra Rivera. O dia passou com perfeita sinergia entre cidades e visitantes. Foi bonito de ver a invasão que se deu entre Santana do Livramento e a vizinha cidade uruguaia. O percurso até o estádio foi, juro, mágico. A multidão em vermelho e branco, descendo a avenida Sarandi, proporcionava aquela situação ímpar de observador no topo da rua e coadjuvante na baixada.


Tudo isso foi pra mim inesquecível, o que, de fato, fez valer à pena. Porém, quando o sol se escondeu, a noite trouxe o peso da injustiça contra a imensa e fiel torcida. Injusto sim, foi aquele resultado pra tanta gente mobilizada, entusiasmada e companheira de seu Inter.


Ao lado da pequena torcida do Cerro, minoria em sua pseudo-própria casa, vi o ímpeto de seus inchas inflar minuto a minuto de jogo. Aquele resultado desastroso pra gente, foi vitorioso pra eles. Na duradoura saída do pequeno estádio com sua única escada de evacuação, abatidos e frustrados, caminhando em passos de formiguinha, víamos, através da galeria por onde passávamos, embaixo, depois da cerca, a saída da torcida do Cerro uruguaio e também portoalegrense...


Como de costume nos certames de guerrilha da América Latina, provocações que iniciaram com xingamentos resultaram na nova modalidade olímpica: lançamento de pedras. Eu como não pratico o esporte, certamente me dei mal. No compasso lento do meu passo, ouço um “olha e pedra” e, tarde demais. Levei uma pedrada na bunda! Vê se pode? Não é bem na bunda, é na coxa-quase-forevis. Menos mal que pegou na preferência nacional, ainda que “meio de revesgueio”. Pior seria se atingisse a cabeça, parte do corpo pela qual cultivo tanto apreço. Sim, pois ainda que marmanjos lamentem por um popô atingido, é o cérebro que me fornece coordenação motora pra exercitar os glúteos que agradam a massa.


Tá, essa foi pra alegrar a torcida, uma porque o feminismo não permite valorização da bunda em detrimento do cérebro (com o que concordo, mas estou lutando pela flexibilidade na depilação). Outra porque minha bunda não tá com essa bola toda, agora então, nem se fala, com o adereço de um generoso hematoma. Só que, falando sério, se tivesse pego na cabeça eu teria me machucado gravemente.


Resultado, saí amargando empate sem graça e caminhando de mal jeito. O saldo de minha ida a Rivera são algumas maquiagens, vinho, azeite de oliva, um perfuma e roxo na coxa-bunda. Que fase...


De qualquer maneira, não gostaria de hoje, depois deste, além da seqüência de jogos ruins, degolar Fossati. Tampouco amanheço nesta segunda-feira constrangedora, pra não dizer revoltante, querendo mascarar a situação periclitante em que nos encontramos.


Menos ainda, conto essa história no intuito de incitar violência contra a torcida do Cerro que certamente se fará presente no jogo desta semana, no Beira Rio.

Também não é nada disso.


Venho, com este breve relato de minha nádega ferida, provocar sim os colorados. Calma pessoal, não é pra me passar gelol. É pra responder ao time, equipe técnica e, com certeza, à torcida adversária. Mas também não é pra levantar bandeira “pela bunda feminina, não mexam no nosso patrimônio”. Apenas pretendo despertar a seguinte reação, façamos uma aposta:


- Já que a partir do vestiário não se vê um bom futebol;


- Já que do reservado à torcida visitante não vem nada que se aproveite;


Gostaria que nós, torcedores colorados, ensinássemos como se faz, pelo menos a nossa parte. Quero, desejo tanto, que no próximo confronto da Libertadores, calemos qualquer desculpa de falta de apoio por nossa parte. É como se faz com filho problema, na intimidade a gente cobra, mas na presença de visitas, defende. Da mesma forma, quero, desejo tanto, que não se possa escutar por um único minuto a voz destas visitas.


Tem uma frase bastante pronunciada na vida do clube: O Inter está acima disto, daquilo.


O Inter somos nós. Superiores a tudo. Inclusive, lógico, à minha modesta bunda.