terça-feira, março 23, 2010

Racha na Situação

Quatro empates consecutivos, indefinições quanto à escalação e formatação tática da equipe e atuações nada convincentes têm provocado mais que debates quanto à competência da Comissão Técnica colorada. Quem acompanha o noticiário esportivo vem percebendo que já se começou a falar sobre a sucessão presidencial no Inter. Embora as eleições no clube ocorram somente em dezembro, parece que o tema já virou pauta do dia.

E o que se fala na imprensa é que a disputa presidencial colorada provavelmente levará aos sócios aptos a votarem dois candidatos que fazem parte de diferentes áreas da atual Direção do clube. Segundo o noticiário, está prestes a ocorrer um racha na Situação!

O Movimento Político do atual Presidente naturalmente apresentará candidato. Contudo, dentre os grupos que apoiaram a candidatura de Vitório Píffero na eleição de 2008, cogita-se que um ou dois também apresentem candidatos no primeiro turno deste ano, na fase em que a eleição se dá no âmbito do Conselho Deliberativo.

Como a Situação possui grande maioria nesse colegiado, mesmo que os Movimentos Políticos que não integram a atual Direção apresentem candidato, este dificilmente conseguiria os votos necessários para chegar ao segundo turno. Ocorre que mesmo dividia, a atual Situação continuaria tendo mais votos para cada um de seus candidatos que toda a Oposição coligada em favor de um terceiro nome. Isso se deve às expressivas vitórias das chapas situacionistas nas eleições para o Conselho Deliberativo em 2006 e 2008.

Diferentemente do quadro que se vislumbra para este ano, na última eleição presidencial, a Situação apresentava uma grande coalisão de grupos políticos em favor da reeleição de Vitório Píffero. A Oposição, por sua vez, apresentava dois possíveis candidatos. No entanto, o Conselheiro Felipe de Oliveira, pré-candidato à época, abriu mão de sua candidatura, pois caso concorresse, nem ele, nem Cláudio Bier (vencido por Píffero em 2008), teriam a menor chance de chegar ao segundo turno.

Embora eu, particularmente, tenha lamentado a ausência de Felipe de Oliveira no processo eleitoral passado, devo reconhecer que sua atitude reverteu-se num ganho democrático sem precedentes para o clube. Com a sua desistência, Cláudio Bier passou no Conselho Deliberativo por dois votos e assim, os sócios colorados tiveram a oportunidade de votar em seu candidato a Presidente, realizando a maior eleição direta para o mandatário de um clube de futebol no Brasil: foram cerca de 7,5 mil votantes.

Agora imaginem como será neste ano, com cerca de 70 mil sócios aptos a votar! Seguramente, o clube precisará envidar esforços hercúleos para desenvolver um processo eleitoral seguro e harmônico, visto que se tratará de uma eleição das mesmas dimensões de muitos municípios de médio porte do interior gaúcho.

Contudo, em que pese a beleza do processo democrático na escolha do Presidente do clube, há um aspecto que vem me incomodando muito nas notícias que estão sendo publicadas a esse respeito. Invariavelmente, leio ou ouço que candidatos ou grupos políticos atrelados à atual Situação alegam que “chegou a sua vez” de assumir a Presidência.

Uma eventual dissidência eu compreenderia diante de um conflito ideológico ou programático. Se a partir de um determinado momento, certo grupo identifica práticas de gestão dissociadas dos valores e princípios que defende, justifica-se uma cisão. Contudo, se essa separação se dá exclusivamente por conflito de interesses eleitoreiros, fica a impressão de que votando neste ou naquele candidato, nada mudará, apenas o nome das pessoas que ocuparão os cargos. Coligam-se ou se separam por interesse e conveniência, não por afinidade de idéias e projetos?

Esse personalismo exagerado, infelizmente ainda é o que domina tanto o noticiário de uma eventual sucessão quanto os critérios de escolha dos associados. Digo isso porque, nas conversas que tenho com outros sócios colorados, especificamente aqueles que não estão envolvidos em grupos políticos, dificilmente ouço alguém comentar sobre determinado Movimento Político ou Plano de Gestão. Normalmente, vejo a preocupação em citar nomes, como se uma pessoa, sozinha, fosse capaz de administrar um clube do tamanho do Inter.

Se há Movimentos Políticos no âmbito do clube que estudam e desenvolvem projetos para uma gestão ainda mais qualificada, podem e devem se organizar a fim de apresentar aos sócios, no momento adequado, suas respectivas alternativas eleitorais. Todavia, se as vaidades individuais ou coletivas estiverem acima dos interesses da instituição, estaremos sempre sujeitos a abalos sísmicos que provocarão rachas não somente numa eventual conjuntura eleitoral, mas também nos alicerces do vestiário colorado. E isso é inadmissível! Ainda mais em ano de Libertadores!

Não me agradam nenhum pouco essas notícias de racha político que vem sendo veiculadas na imprensa, pois embora se presuma que estejam baseadas em fontes fidedignas que confiram a devida credibilidade às informações, estão sendo divulgadas precocemente, numa hora pra lá de inoportuna.

Espero, sinceramente, que os interesses de todos os colorados sejam preservados neste momento tão importante. Se não pela imprensa, que não tem compromisso com a estabilidade política do Internacional, ao menos pelos protagonistas desse processo político dentro do clube. O Inter deve vir sempre em primeiro lugar. Sempre!