sábado, maio 01, 2010

Precisamos da Copa?

Segundo notícia publicada hoje (1º de Maio) no Jornal Folha de São Paulo, o Comitê Organizador da Copa de 2014 estaria preocupada com a capacidade de financiamento das obras no Beira-Rio. Segundo o Portal Terra, "A alegação principal é falta de confiança nos clubes. A entidade não acredita que terão recursos para as obras" (aqui).
Na verdade, isso não é fato novo. O primeiro prazo definido pela FIFA para o início das obras (1º de Março) já não foi cumprido, gerando inclusive advertência do Ministro Orlando Silva que falou em "sinal amarelo". E alertou: "A Copa acontece em oito cidades. Doze foi um apelo que nós fizemos para que o país inteiro pudesse participar (aqui)".
O que surpreende é que o Presidente do Inter, em entrevista concedida hoje esteja insistindo em erros primários, desdenhando de exigência BÁSICAS da FIFA, e jogando a responsabilidade para terceiros. Além de reafirmar o discurso desorientado de que "as reformas do Beira-Rio começaram em 2003". Segundo ele (declaração de ontem):
"Temos que botar mais bancos nas casamatas, o que se faz em uma semana. Tem que ser o número que a Fifa determina. O segundo vestiário tem que ser igual ao primeiro. Os dois têm que ser iguais. Pode haver uma adequação do primeiro para o segundo. Não preciso desmanchar todo o estádio para fazer um novo. É preciso ter uma área de 600 metros quadrados para zona mista. Já fizemos isso no jogo da seleção brasileira. A iluminação tem que ser cinco vezes maior do que a que temos hoje. E temos que colocar cadeiras na arquibancada inferior, como as que temos nas sociais" – afirmou Píffero.
Acreditar que o que foi feito de 2003 até hoje é útil para um estádio de Copa demonstra total falta de informação. As casamatas do Beira-Rio são mal localizadas. Além de distantes do meio-campo - como determina a FIFA - e com poucos lugares, elas também prejudicam a visibilidade do Campo, gerando "pontos cegos". As cadeiras das sociais qualquer um que já tenha visto ou freqüentado o setor sabe que são deficiêntes e instaladas de forma desleixada e grosseira, com corredores tortos, estreitos e sem degraus.
Cadeiras da social pioraram o conforto do setor
Casamatas. Esqueceram que atrás tem o torcedor.
O mais grave de tudo é o que os responsáveis pelo Projeto ainda não justificaram economica e financeiramente as tais reformas, nem para a torcida, nem para o Conselho Deliberativo, o que é uma obrigação estatutária.
Se não é para captar investimentos externos, qual a finalidade em colocar o Internacional nessa aventura?
No Pan do Rio, na Copa da Alemanha e na Copa da África o valor final extrapolou o inicial por causa dos prazos rígidos e públicos, que geram greves de trabalhadores, exigências de aditivos contratuais por parte dos fornecedores e acabam por elevar o custo das obras. Na África do Sul foi quase o dobro, na Alemanha também foi bem além do orçamento inicial, no Pan do Rio, de R$ 400 milhões acabou em R$ 4 bilhões (leia aqui).
Segunda, 3 de Maio é o novo prazo para início das reformas definido pela FIFA, mas nada de diferente será apresentado. Dia 14 de Maio, o Projeto Gigante Para Sempre completará 3 anos (aqui) e ainda parado na burocracia da Prefeitura enquanto o Clube assiste passivamente os investimentos públicos migrarem para o Humaitá. Isso que já havia um projeto anterior que dava certa sofisticação às reformas desorientadas que eram feitas "desde 2002".
Projeto Washington Fiúza, apresentado em 2003.
E não me sai da cabeça aquele outro projeto da Copa, não de 2014, mas de 1950.
Projeto de reforma do Eucaliptos para a Copa de 1950. Já vi esse filme.

Leia mais no Blog Beira-Rio 2014.