terça-feira, junho 01, 2010

O Efeito Scolari

Mais que os milhões de reais mensais gerados pelas mensalidades do quadro de sócios, os dirigentes de Inter lidam com um bem imaterial de valor inestimável, algo que pertence a milhões de torcedores e que deve ser cuidado com o maior zelo possível: a esperança!

A expectativa de resultados expressivos que redundem em grandes títulos é o que move o torcedor, sempre em busca da felicidade, a cada jogo, a cada gol. É por isso que os humores se alternam para melhor ou para pior quando se confirma uma notícia como a demissão de um técnico e, também, a simples cogitação do nome do futuro detentor do cargo.

É o que vem acontecendo com intensidade poucas vezes antes vista no Rio Grande do Sul, desde que a imprensa começou a cogitar a possibilidade de contratação de Luís Felipe Scolari pelo Inter. Colorados eufóricos e gremistas em pânico, é o que mais tenho visto desde quando o boato tomou corpo.

Diante de tal contexto, até poucas semanas inimaginável pra mim, busquei nas declarações do Vice de Futebol do Inter indícios que me pudessem fazer crer ou descrer na notícia. E o que encontrei, num programa de TV ao vivo, foram não só suas declarações, mas suas expressões, suas feições.

Fernando Carvalho em nenhum momento confirmou as especulações. Da mesma maneira, não descartou por completo a possível contratação de Scolari, como já houvera feito quando da cogitação de Paulo Roberto Falcão. Chamou-me a atenção, ainda, a declaração de que o contrato do novo técnico seria só até o final deste ano. Opa! Como é que é?

A julgar que a declaração seja verídica (e não tenho porque julgar de modo diverso), já temos treinador. Ora, que Vice de Futebol, nas circunstâncias atuais, diria que vai contratar alguém por seis meses sem que nenhum contato com um profissional específico tivesse sido feito ainda? Essa, o Carvalho deixou passar. Uma coisa é fugir de respostas, tergiversar. Mas afirmar que o contrato será até o fim do ano, é indicativo de que já há acerto com alguém, ainda que não se saiba quem.

Afora isso, o que percebi (claro que aí pode ser mera impressão) foi um dirigente radiante, eufórico, sorridente e brincalhão. Não me parecia estar vendo um Vice de Futebol preocupado com a indefinição de quem comandaria o time numa semifinal de Libertadores. Ao contrário, me parecia alguém seguro das definições futuras, deleitando-se com a curiosidade insaciável dos jornalistas ao seu redor. Pois diante desse quadro, resgato a idéia exposta nos dois primeiros parágrafos.

Ninguém conhece como Fernando Carvalho como é lidar com a fé, com a esperança da torcida colorada. Desde 2002, ele só não esteve no clube, oficialmente, em 2007. Ele viveu todo o drama do Brasileirão de 2005, toda a Libertadores de 2006 e a posterior Copa do Mundo de Clubes. Está na condição de Vice de Futebol desde 2009, tendo passado por decisões como a Copa do Brasil e o Brasileirão do ano passado. Impossível um homem com essa experiência estar alheio ao mar de expectativas geradas pelas especulações da contratação de Scolari neste fim de semana.

Mais que isso, Carvalho certamente está vendo a intensidade dos abalos sísmicos que essa notícia vem causando no arqui-rival. Há uma verdadeira histeria coletiva pelas bandas da Azenha, algo perceptível e notório nos veículos de comunicação ligados ao grupo RBS. Chega a haver uma espécie de comoção entre alguns cronistas, algo digno de pena (e risos, é claro!).

Particularmente, considero que Scolari, embora ostente um currículo invejável, terá um desafio gigantesco caso assuma o Inter com o grupo de jogadores que temos hoje. Sequer sabemos se poderemos contar com Tinga na Libertadores e ainda podemos ficar sem dois goleiros e um atacante para as semifinais.

Mas o que não se pode negar é que a província vive dias de expectativa como há muito tempo não se via. Algo que, uma vez cogitado, poderia ter sido negado ou desmentido de plano, mas não foi. E se não foi, ninguém pode ser condenado por acreditar no noticiário local.

Minha convicção é de que o Inter já tem técnico contratado, que de fato é só por seis meses e que é alguém em quem Fernando Carvalho confia e muito! Quem é, eu não sei. Só espero que a revelação desse nome não reverta o sentimento de euforia colorada e desespero gremista que venho percebendo nestes últimos dias.

Com a esperança do torcedor não se brinca, jamais! Muito menos em semifinal de Libertadores.