quarta-feira, junho 30, 2010

A Copa do Mundo em Porto Alegre



Em 28 de junho de 1950, há 60 anos atrás, ocorria a primeira partida válida por uma Copa do Mundo, em Porto Alegre.

Quando a cidade foi escolhida como uma das sedes para a Copa do Mundo de 1950, cogitou-se da construção de um grande estádio municipal, como seria feito no RJ (Maracanã), mas logo a ideia foi abandonada, e o Estádio dos Eucaliptos, do Internacional, foi escolhido como sede, sendo reformado e ampliado para o Mundial.

Às 15 horas, entraram no gramado as seleções da Iugoslávia e do México. Os europeus vinham de uma vitória sobre a Suíça (3x0) e eram o adversário mais forte do Brasil no Grupo I. Já o México, havia levado 4x0 do Brasil na estreia.

Doze mil pessoas compareceram ao estádio (era uma quarta-feira). A partida foi dirigida por Mervyn Griffiths (País de Gales), que foi auxiliado por Leafe (Inglaterra) e Van der Meer (Holanda).

As seleções foram a campo com:

IUG: Mrkusic; Horvat e Stankovic; Zlatko Cajkovski, Jovanovic e Djajic; Mihailovic, Mitic, Tomasevic, Bobek e Zelijko Cajkovski
Técnico: Milorad Arsenijevic
MEX: Carbajal; Gutierrez e Cuburu; Gomez, Roca e Ortiz; Septien, Naranjo, Casarin, Perez e Velasquez
Técnico: Octavio Vial

Em campo, figuras que tornariam-se conhecidas no futebol mundial, ou mesmo já eram lendárias, como Mitic, um dos cinco maiores jogadores da história do Estrela Vermelha, e Bobek, considerado o maior jogador da história do Partizan, e maior artilheiro da Seleção Iugoslava. Do lado mexicano, atuava o jovem goleiro Carbajal, que havia completado 21 anos poucos dias antes. Este goleiro seria figura presente em 5 mundiais (1950, 1954, 1958, 1966 e 1970), além de ser o maior jogador do México na sua posição.

Os iugoslavos dominaram a partida, e marcaram logo aos 19' do 1º tempo, com Bobek. Zelijko Cajkovski ampliou aos 23', e a 1ª etapa terminou com o placar de Iugoslávia 2x0. Na 2ª etapa, Zelijko Cajkovski marcou mais um logo aos 7' e Tomasevic marcou o 4º gol aos 36'.

Os mexicanos, irritados com as críticas de sua imprensa, de que haviam se desgastado em noitadas nos cabarés cariocas, correram o tempo todo, mas só conseguiram marcar o gol de honra aos 44’ do 2º tempo, em um pênalti cobrado por Ortiz. Na verdade, não só os mexicanos divertiram-se nas noites cariocas, como fizeram o mesmo nas noites porto-alegrenses, a ponto da seleção ser dissolvida, ao voltar ao país, em função do “péssimo comportamento no terreno moral”.

O público saiu do estádio contente com a partida, mas ao mesmo tempo preocupado. No mesmo horário, o Brasil enfrentou a Suíça, em São Paulo, e empatou em 2x2. Com isso, teria que vencer a Iugoslávia, na última rodada, para classificar-se.

Outra partida seria realizada em 2 de julho: Suíça 2x1 México. Esta partida marcou a 1ª vitória dos suíços em mundiais, e o 6º jogo e 6ª derrota dos mexicanos nas Copas. O árbitro da partida, Ivan Eklind, da Suécia, achou que os uniformes verde (México) e vermelho (Suíça) tinham pouco contraste. Como nenhuma das equipes tinha uniforme reserva, o México teve que atuar com o uniforme do Cruzeiro de Porto Alegre.

Curiosidade:

Em fevereiro de 1955 o Estrela Vermelha excursionava pelo Brasil e enfrentou o Internacional, nos Eucaliptos. Daquela seleção que havia jogado na cidade cinco anos antes, estavam presentes em campo Stankovic, Djajic e Mitic. O Colorado venceu por 4x2.