segunda-feira, julho 19, 2010

Saudade

Palavra universalizada pela língua portuguesa. Sentimento Internacional, né? Todo mundo sente saudade de alguém, de alguma coisa, de cheiro, sabor, daquela música, daquele momento, ou de algum lugar.

Muitas vezes brilha no semblante, através de um sorriso ameno, como se fechando os olhos fosse possível retomar aquele instante saudoso. Tem também o reflexo doloroso, nos olhos marejados, em sinal de que é muito triste viver na impossibilidade da saudade.

Com respeito aos fãs, não gosto de Legião Urbana, mas acho incrível uma frase de Renato Russo, “saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi”. Esta é aquela sensação de aperto no peito que a gente não explica direito, ou uma vontade de não estar onde se está, sem saber, então, onde raios eu me encontro... Reflexos de almas inquietas.

Existe também a premonição: vai deixar saudade. A psicografada: morri de saudade. E a melhor de todas: saudade Gabiru, ninguém imaginou que fosse sentir, dele!

A verdade é que saudade do que foi ruim a gente não tem. Portanto, em poucos dias, logo antes do juiz apitar o início da partida, o Beira Rio (in loco ou espraiado) irá cerrar seus olhos e, num leve instante psicótico: matar a saudade .

Não somos os mesmos daqueles dias, onde vivemos a apreensão que precede o primeiro título. Sóbis e Tinga também não são aqueles mesmos postulantes ao hall da América. Toda montanha de sentimentos à beira de um rio e ataque de nervos, foi se dissolvendo depois daquele agosto e hoje pulsa em corações maduros, bem resolvidos.

Mas então, de que saudade eu me refiro? De ganhar (agora) um novo título.

Não foram os cinco gols em dois jogos, seis pontos somados e a nova posição na tabela do Campeonato Brasileiro que me trouxeram de volta o espírito chamado saudade. Não foi o belo gol de Sandro, bom rapaz, contra o Guarani. Tampouco o de Kleber, ontem, no passe de D’Alessandro. Nem mesmo o ressurgimento de Taison, ainda que tão breve pareça momentâneo suspiro.

Foi esse frio com chuva desgraçado que condena meus pés ao gelo infinito. Essa perseguidora umidade, invadindo por todos os lados. E a toalha que não seca estendida no box do banheiro. O céu fechado, de cara feia que maltrata impondo melancolia. Os dias que se escondem e nos recolhem do prazer do dia. Foi nosso clima gaudério infeliz que me despertou a lembrança mais feliz, de um inverno como tantos outros e do qual, no entanto, sinto muita saudade.