terça-feira, janeiro 11, 2011

Aconteceu, acontece, acontecerá.

Em matéria de beleza natural, dificilmente alguma metrópole bate o Rio de Janeiro. Não sei se há, no mundo, alguma grande cidade com a mesma exuberância, o mesmo charme, o mesmo encanto. E isso, sem falar no povo, no clima, no astral.

Eu até não trocaria minha vida em Porto Alegre por alguma experiência no Rio. Mas é preciso considerar que não sou lá muito fã de samba nem de carnaval. Gosto da praia, mas não chego a ser obcecado pelo mar. Além disso, claro, não tenho crédito ilimitado para desfrutar de todos os prazeres que a cidade maravilhosa pode proporcionar.

Agora, se o cara gosta de praia, gosta de agito, se adapta a uma cultura digamos, menos disciplinada, e ainda prefere fugir do frio rigoroso do inverno (e nessa eu me incluo), não tem melhor lugar no mundo que o Rio. Em síntese, quero dizer que não condeno ninguém que queira, simplesmente, viver no Rio de Janeiro. Ainda mais agora, que aparentemente a violência urbana deu um tempo. É, deu um tempo, pois vocês sabem: malandro não para, malandro dá um tempo.

Falo disso porque tenho conterrâneos que se encantam por aquelas paragens e pra lá acabam se mudando. Até voltam vez que outra pra visitar o sul, mas é lá mesmo que eles gostam de ficar. São pessoas que se adaptam tão bem ao “Carioca Way of Life” que, daqui, permanecem apenas com o adjetivo pátrio: Gaúcho.

Pois nessa onda de correntes migratórias, tem muita gente que fica triste, chateado, com saudade das pessoas que amam e que se vão. Alguns, de tão lamuriosos, chegam a sentir ciúmes, mágoa, remorso. Sentem-se traídos, rejeitados, mal amados, vejam só! Um exagero, sem dúvida!

Mas a vida é assim. Tem aqueles que preferem o seu pago, tem outros que preferem novas plagas. Tem aqueles que se identificam com a sua gente e as suas origens, tem aqueles que vão na onda. As pessoas são diferentes, ainda que nascidas e criadas no mesmo chão, no mesmo território.

O Ronaldinho foi pro Rio. Repete, mais de 20 anos depois, algo que outro boleiro gaúcho também fizera: Portaluppi. Traição? Desrespeito? Afronta? Não, nada disso. É o jeito deles de ser. É como se tivessem raízes aéreas, não se prendem muito ao seu chão! É isso que venho tentando falar para consolar alguns amigos gaúchos. No primeiro sopro mais gelado do minuano, o Portaluppi também se vai. De novo!