terça-feira, janeiro 04, 2011

Medidor de Sucesso

Ter amigos é um medidor de sucesso. A criança que tem muitos amigos à sua volta, tem sucesso. O adolescente que está sempre rodeado de amigos faz sucesso. O adulto que pode contar com muitos amigos é bem sucedido. O idoso que ainda desfruta do convívio com seus amigos é o sucesso em pessoa!

O mais legal de ter vários amigos é poder perceber o quanto somos diferentes uns dos outros, por mais que tenhamos inúmeros pontos de interesse em comum. Contudo, a grande riqueza das amizades é justamente a capacidade de conviver em harmonia, diante das diferenças.

Nessas rodas de amigos, conseguimos concretizar grandes projetos, desde que, identificados os objetivos em comum, busquemos atingir metas conjuntas através de um plano de ação que busque explorar, justamente, as melhores características individuais de cada integrante do grupo que formamos. É como um time de futebol. Todos querem jogar e ganhar, mas tem um que desempenha melhor a função zagueiro, outro a de atacante e assim por diante.

Entretanto, há determinadas funções para as quais apenas um indivíduo será escalado. E aí, por mais amigos que todos os companheiros de time sejam, por mais que todos estejam voltados para o mesmo objetivo, cada um irá desempenhá-la de modo diverso, pois será nesse momento que as características individuais de cada pessoa irão aflorar. E assim, inequivocamente, também ocorre na gestão de um clube de futebol.

Na noite de ontem, Giovanni Luigi tomou posse como Presidente do Sport Club Internacional. Luigi é amigo dos ex-Presidentes Vitório Píffero e Fernando Carvalho. Mais que amigos, são também integrantes do mesmo grupo político de atuação perante o clube. No entanto, cada um deles tem características personalíssimas completamente distintas e, justamente no momento do desempenho de seus papéis na gestão do clube, essas características se evidenciam.

Some-se a isso os diferentes momentos, as diferentes realidades encontradas por cada um no momento em que assumiram seus respectivos cargos e considerem-se as diferenças entre uma gestão e outra. Por mais que haja uma continuidade de grupo político, haverá, sim, novidades no Inter a partir de agora.

Luigi fala em profissionalização da gestão. Sou defensor da tese e espero que ele saiba conduzir essa transformação guiado por critérios mais técnicos que políticos. Fala também em valorização da base e de poucas contratações pontuais, mas de impacto. Mais uma vez, perfeito na teoria, ainda mais se levando em conta que o que se gastou em futebol nos últimos anos cresceu consideravelmente (pra pegar leve).

Além disso, o novo Presidente pegará um clube com compromissos irrenunciáveis, tais como a reforma do estádio que, hoje, já não conta com um quarto totalmente demolido no anel inferior. Nem bem o modelo de financiamento de toda a reforma pretendida foi definido, várias obras já estão em curso e tais dificuldades não poderão deixar de serem enfrentadas. Capacidade do estádio reduzida, inadimplência do quadro social, alto custo da folha do futebol e um técnico já não mais tolerado pela torcida. De fato, a nova gestão se deparará com muitas pedras no caminho.

Diante desse contexto, nós colorados, devemos atentar para as peculiaridades do momento e tratarmos do clube como fazemos com os melhores amigos. Celebramos e confraternizamos nas horas boas, mas também damos apoio em situações adversas e apontamos os erros nos momentos apropriados. Afinal, ser amigo é acompanhar, é caminhar ao lado para perceber os momentos certos daquele incentivo, daquela injeção de ânimo. Mas também é saber a hora de dar o toque, de chamar a atenção para evitar os tropeços.

Que neste ano, todos nós colorados continuemos ainda mais amigos do nosso clube. Afinal, ser amigo do Inter, isso sim, é um medidor de sucesso!