segunda-feira, março 07, 2011

Auto-Ilustração

Retirado do site da placar, reproduzo a entrevista abaixo.

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Edilson Pereira de Carvalho, quando ainda trabalhava como árbitro, aceitou ofertas de R$ 10 mil a R$ 15 mil por jogo para arranjar resultados no Campeonato Brasileiro de 2005. Quando o esquema foi descoberto, 11 partidas do torneio acabaram remarcadas e ele se tornou celebridade, até cobrando para dar entrevistas. Mas hoje, condenado a pagar com a CBF uma multa de R$ 160 milhões, faz graça com o pedido por esse valor astronômico.

Banido do futebol há quase seis anos, Edilson, aos 48 anos, hoje trabalha no balcão de um bar em um clube de Jacareí (SP), recebendo cerca de R$ 600 por pouco mais de oito horas diárias. E desdenha da decisão da 17ª Vara Cível de São Paulo a ponto de prever que Ricardo Teixeira, presidente da CBF desde 1989, e Marco Polo Del Nero, mandatário da Federação Paulista de Futebol há quase nove anos, não estarão vivos quando a Justiça der a sentença definitiva sobre a “Máfia do Apito”.

Extremamente à vontade para falar do assunto, sem nem lamentar muito por não ganhar mais, legalmente, cerca de R$ 3 mil por jogo apitado, Edilson falou por telefone com a Gazeta Esportiva.Net. Já não liga tanto para dinheiro, pois diz ter recusado um convite para apitar no Showbol. Deixando todos os problemas jurídicos que enfrenta para quem, segundo ele, realmente tem condições financeiras para pagar a milionária multa que a Justiça deve exigir. “Mas não vai acontecer nada”, garante.

Placar:Qual foi a sua reação ao receber a notícia de que foi condenado a pagar R$ 160 milhões junto com a CBF?
Edilson Pereira de Carvalho: Fiquei e continuo supertranquilo. Não tenho esse dinheiro para pagar. Vai sobrar para a CBF e a Federação Paulista. Eles que se virem. Vou continuar vivendo a minha vidinha e eles continuarão vivendo a vidona deles.

Placar:Mas, de qualquer forma, você foi condenado. Não está ansioso pelo fim do processo pelo menos?
Edilson: Pelo que vi, este processo vai demorar de oito a 12 anos. Até lá, muito coisa vai rolar e o Del Nero e o Teixeira já terão morrido.

Placar: Esta demora te tranquiliza?
Edilson: Esse valor é uma utopia, é fictício. Não vai acontecer nada. Nem que fosse para pagar amanhã. Gostaria muito de ter esse dinheiro, porque significaria que eu seria muito milionário. Gosto do que faço e da minha cidade, mas, se eu tivesse esse dinheiro, com certeza não estaria trabalhando e estaria em outro país. Infelizmente, não tenho esse dinheiro. Mas a CBF e a Federação têm. A dor de cabeça é deles.

Placar:Mas você não tem gastado com advogados?
Edilson: Já perdi dinheiro com advogado com a “Máfia do Apito”, mas meu advogado não fez b… nenhuma, não mexeu uma palha. Vou ficar gastando agora? De jeito nenhum.

Placar: Como tem sido a sua vida mais de cinco anos depois daquele escândalo?
Edilson: Minha vida mudou muito, mas de qualquer forma ela mudaria. Eu tinha só mais dois anos como árbitro Fifa. A vida do (árbitro que se aposentou no fim do ano passado, Carlos Eugênio) Simon também vai mudar. Ele não vai ficar na miséria, mas onde ele vai encontrar um emprego que paga R$ 7 mil por semana? E a fama também muda, é igual a jogador. Você aparece todas as semanas, é reconhecido, e depois que para isso passa.

Placar: Perdeu muitos amigos?
Edilson: Pelo contrário. Fiz mais amizades ainda do que na época em que eu era árbitro. Quando eu apitava, não tinha tempo para amigos, era mais a minha família mesmo. E as pessoas me tratam bem. Ficam me olhando, mas nunca me xingam.

Placar: Você mantém contato com árbitros que trabalhavam com você?
Edilson: De forma alguma, eles me isolaram. E isso nunca me apertou o coração, nunca fiquei sem dormir por isso. O árbitro já é isolado. Eu conversava mesmo era com os bandeirinhas. Árbitro torce para o outro se dar mal e poder apitar o jogo seguinte.

Placar: Como é trabalhar em bar longe dos campos?
Edilson: Trabalho em bar há três anos. Tentei montar um duas vezes, mas não deu certo, a concorrência é muito grande. Mas gosto do que faço. Gosto de cozinhar, de ver os amigos que frequentam aqui. E é um bar terceirizado de um clube, não é um botequinho que vende pinga. É coisa mais de elite.

Placar: Você nunca mais apitou nem jogos amadores?
Edilson: Nunca mais. Recebi uns convites, até para receber um bom dinheiro, como do (ex-árbitro Oscar Roberto) Godói, no Showbol – aliás, quero mandar um abraço para ele, que graças a Deus já está bem. Mas nunca mais quis. Já deu. Só assisto a bastante futebol.

Placar: Você comenta bastante as atuações dos árbitros?
Edilson: Aqui no bar passam os jogos e o pessoal fica me perguntando se foi falta, pênalti. Só não critico. Lembro sempre que os árbitros de agora são novos e, sem experiência, você apita na emoção, por isso erra mais.
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Esse nariz vermelho incomoda...