terça-feira, julho 19, 2011

Tempos difíceis


Bom dia, pessoal. Escrevo este texto ainda nessa noite de segunda, quase terça. Na hora do almoço soube da demissão do Falcão, mas não tive como acessar a web durante todo o dia. Agora é que me "inteirei" dos fatos, se é que o que vemos e ouvimos são "de fato" os fatos. Semana passada eu já tinha escrito que tanta sujeira no futebol estava me desanimando, então dá pra imaginar como me sinto hoje, frente aos frangalhos a que se reduz nosso amado clube. Não há como negar: estamos passando por uma fortíssima turbulência e precisaremos de muita força e calma para atravessá-la a salvo.

O que acontece hoje no Inter não é surpresa, entretanto. De maneiras e perspectivas diferentes, muitos de nós já vinha percebendo e alertando para os diversos problemas do clube, seja no futebol, seja na política interna. Por mais que títulos sejam agradáveis, é preciso muita parsimônia, para saber analisar cada caso. Às vezes, o título é muito merecido e tem "bases sólidas" na estrutura do clube. Outras vezes, é fruto dos acasos comuns ao futebol. Essas análises não são fáceis, mas precisam ser feitas, para que possamos estar sempre "um passo a frente" dos problemas. É exatamente isso que as direções de nosso clube não tem feito adequadamente.

Não vou aqui entrar nessa discussão rasa e infantil sobre quem é "o melhor" ou "o maior" dirigente e quetais. A questão é bem mais profunda e séria do que essas banalidades. Já vimos grandes clubes, como Palmeiras, Grêmio, Vasco e MSI, viverem grandes períodos de "bonança", fruto de parcerias espúrias, seguidos de quedas homéricas, incluindo aí a segunda divisão. Mas pior que jogar a segunda divisão, é ver o clube em frangalhos, quebrado, com dívidas enormes, divisões políticas grandes, estrutura comprometida. Tudo isso, fruto de uma mentalidade imediatista e irresponsável que visa a conquista de títulos a qualquer custo, por quaisquer meios necessários, sejam eles lícitos ou não, sejam eles prejudiciais a médio e longo prazo ou não.

Uma turbulência, no entanto, tem particularidades: pode tanto ser fatal, como pode ser apenas um susto. Todos torcemos para que a nossa seja só um susto. Com muita vontade, humildade e amor pelo clube, nossos dirigentes talvez consigam se unir e conduzir-nos para condições melhores. Mas meu receio é que a "solução" que nos será apresentada nos próximos dias e meses seja mais do mesmo veneno ilusório comentado acima. Pode ser que reapareçam as contratações de peso, até ontem "impossíveis", e pode ser que nosso clube de repente retome o caminho das vitórias, tudo se acalme, todos fiquem felizes com o sucesso imediato. Mas não nos enganemos: podemos estar apenas adiando a queda fatal, se os próximos passos não vierem definitivamente acompanhados de mudanças profundas na dinâmica de sustentação de nosso clube. Se nossa casa for de palha, cedo ou tarde ela vai cair.

Há algum tempo tenho optado por me calar nas discussões (exceto em jogos...rsrsrs). Cansei de opinar sobre meras suposições, especulações, mentiras, boatos, etc. Cansei. Não sei quem manda no clube. Não sei se fulano ou beltrano é sério ou não. Não sei se Falcão era dependente de Julinho ou não. Não sei se nossos trocentos reservas são todos horríveis ou não. Enfim, só sei de mim e olhe lá. Sei que amo esse clube e mesmo em meio a tantas dúvidas, seguirei contribuindo, embora respeite quem está desiludido o bastante para jogar a toalha, pois eu mesmo já cogitei isso inúmeras vezes.

Sei que é gostoso ganhar títulos, mas que meu amor e orgulho pelo Inter não depende deles. Sei que, quando adolescente na década de 90, eu ia diversas vezes pras peladas com minha camiseta do Inter, a despeito da falta de títulos. Claro que os queria, mas insisto: títulos passam, assim como as derrotas. O Inter, maior que títulos e pessoas, fica. Sei que sonho em ver minha filhinha que vai chegar em novembro saindo da maternidade com o macação do Inter. Sei que amo estas cores. Sei da minha vontade de viajar milhares de quilômetros para ver o Inter no Beira-Rio e agradeço a Deus por cada oportunidade, mesmo quando perdemos, como contra o Penharol. Não vou ao estádio pra ver apenas vitórias. Vou para compartilhar dessa paixão com outros colorados e coloradas. Vou para cantar, vibrar, rir, chorar.


Sei que quero e lutarei por um clube que reflita cada vez mais valores em que acredito, como o comprometimento social, a transparência, a seriedade, o respeito, a garra, a honra. Não torço para um time que ganha títulos. Não torço para o "campeão de tudo". Não torço pro time de maior torcida ou para o mais rico. Não torço por este ou aquele jogador ou dirigente.

Torço para o Inter.