terça-feira, setembro 27, 2011

26 O Jogo e a Reunião

26
O JOGO

Uma das coisas que me agradam no Futebol Americano é a atuação da arbitragem. Não que ela seja perfeita, que não erre. Toda interpretação humana é sujeita a contestação. Mas o interessante é que a jogada se desenvolve até o fim e, se um dos árbitros (são vários em campo), identifica uma infração, joga uma bandeirinha amarela no gramado. Após terminada a jogada, o árbitro principal consulta seu auxiliar e anuncia a infração e a punição para todo estádio. O lance é revisto no telão por todos, para que se visualize exatamente o que ocorreu e o que foi marcado.

Reconheço ser quase impossível adotar isso no nosso futebol. Primeiro porque no nosso jogo o cronômetro não para quando a bola para (bem que eu gostaria de ver uma partida com 30 minutos de bola em jogo a cada tempo). Além disso, não é todo estádio que tem um bom serviço de som e telão. Aliás, sequer se permite que haja repetição de lances nos estádios que dispõem desse recurso. E o pior de tudo é ter que ouvir o velho argumento de que o erro de arbitragem faz parte do jogo.

Como disse, não tenho a pretensão de achar que no sistema americano não ocorram erros, mas tenho a convicção de que naquele modo de arbitrar, os equívocos são minimizados. Pois, pra minha surpresa, foi exatamente isso que vi, pela primeira vez, no jogo contra o Atlético/MG.


O que ocorreu domingo no Beira-Rio se assemelha aos lances da NFL. Após o gol, o árbitro antes de correr para o centro do campo, foi consultar seu auxiliar, que levantou a bandeira, tal qual os árbitros da NFL quando jogam o pano amarelo no gramado. Ali, fica claro que o bandeira avisou que ao último toque da bola, o jogador colorado estava adiantado, mas na cobrança da falta, não. Foi o que viu o auxiliar. Como o árbitro identificou que o desvio na área foi da zaga, ambos concluíram, em conjunto, que o gol foi legal.

Sei que não é a mesma emoção comemorar o gol após a sinalização do árbitro. Emocionante, mesmo, é vibrar com a bola estufando as redes. Mas, convenhamos, eu prefiro comemorar o aceno do bandeira a chorar um gol legítimo mal anulado.


REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO DE ONTEM

O clube trabalha com défcit, como de regra todos os grandes clubes. Mais cedo ou mais tarde, venderemos nossos melhores jogadores. Ainda estamos longe de reverter essa realidade, embora todos digam que têm esse objetivo. Eu gosto de acreditar que um dia chegaremos lá. Quando, não sei.

O ex-Presidente, Eraldo Herrmann, Campeão Brasileiro em 1975, esteve presente à reunião. Foi uma grata surpresa. Fez uma manifestação emocionadíssima, citando nomes pouco lembrados, mas de enorme contribuição para a história do clube, principalmente no tocante ao seu crescimento patrimonial que o permitiu atingir os níveis de grandeza que hoje ostenta. Rogou ao atual Presidente que se cerque de pessoas de bem, que trabalhem pelo clube, não por si. Foi aplaudido de pé, por mais de um minuto. Um dos momentos mais bonitos da minha vida de colorado. Sócio do Inter pode assistir às reuniões do Conselho. Muitas vezes é cansativo, mas em outras somos brindados com momentos como esse de ontem.

Além disso, o que certamente interessa a todos os colorados é a questão das obras. O Presidente Luigi manifestou ser essa a sua maior preocupação atualmente. Terá uma reunião importantíssima, hoje, sobre o tema. Pra mim está claro que não depende apenas do Inter, querer assinar com a Andrade Gutierres. É a Andrade Gutierres quem está vacilando. Não sou do ramo da construção, mas há alguns empreiteiros no Conselho. Alguns deles comentam que o negócio, nos moldes em que está entabulado, não é tão lucrativo para a AG como se poderia supor. Enfim, é uma decisão que se dará em esferas de poder distantes de Porto Alegre. Como diria o Capitão Nascimento: “O Sistema é foda, parceiro!”