Pouco após me formar, lembro que eu gerava uma certa expectativa entre alguns professores e colegas do ensino superior quanto ao meu futuro profissional. Por alguma razão, a maioria acreditava que eu seguiria alguma carreira jurídica de sucesso. Aliás, acho que mais da metade dos bacharéis que colaram grau comigo seguem hoje suas bem sucedidas carreiras no Judiciário, Ministério Público ou na advocacia pública. Eu não.
Mesmo antes de concluir a faculdade eu fui um dos poucos, senão o único da minha turma a passar num concurso de nível superior, para um cargo no qual, três meses após a formatura eu já estava nomeado. Talvez por isso, algumas pessoas viam em mim um potencial futuro juiz ou promotor de justiça. Só que eu não me tornei nem um, nem outro. A verdade é que eu demorei para descobrir o porquê.
Muito por influência dos meus colegas do meio acadêmico, me matriculei em alguns cursos preparatórios da área jurídica e me inscrevi em uns quantos concursos desses. Mas o tempo passava, meus colegas iam passando de fase e eu ficando para trás. Não demorou muito para eu perceber que a razão era que eu não me esforçava o suficiente. Eu, simplesmente, não estudava o bastante. Só que eu não entendia o porquê. Mas o tempo de trabalho no Tribunal me ajudou a perceber a verdadeira razão.
Ocorre que aquele trabalho, que no início parecia tão excitante, pra mim se tornou, pouco a pouco, uma grande chatice. Foi quando eu percebi que, na verdade, eu não gostava daquilo. Não era o que eu queria para a minha vida profissional, por melhores que fossem as perspecitvas financeiras e a expectativa de estabilidade.
Não posso afirmar que bastava eu ter estudado um pouco mais para obter êxito naqueles certames. Talvez tivesse sido em vão. Mas sem realmente querer aquilo pra mim, sem verdadeiramente desejar aquele objetivo, uma coisa era certa e cristalina: eu jamais passaria num concurso público tão difícil, longo e concorrido.
O fato é que hoje, essas lembranças me são agradáveis. É ótimo quando conseguimos entender algo que de certa forma nos impede de ir adiante na vida ou de, simplesmente, escolher que caminho realmente queremos seguir. Eu felizmente, há mais de dez anos, encontrei essa resposta.
Pois bem, tá na hora do Inter saber o que realmente quer da vida! Faltam 15 rodadas para o fim do Brasileirão e estamos a 8 pontos do líder. Ainda nos restam praticamente 3 meses de futebol sem nenhuma competição paralela. Temos o melhor ataque até aqui, temos se não o melhor jogador, o melhor camisa 9 da competição. Temos um goleiro praticamente afirmado, e boas opções de meio campo. Temos muitas incertezas, é verdade, e uma zaga que nos causa calafrios só de prever uma partida. Mas temos algum tempo e, em tese, todo o foco. Então, nos resta a pergunta: o que o Inter realmente quer?
O que aprendi na minha vida de estudante, é que quando eu verdadeiramente quis, fui atrás e consegui. E quando não conquistei o primeiro lugar, ao menos uma boa vaga eu garanti para o meu futuro. Portanto, não estou dizendo aqui que o Inter é tão superior aos seus adversários que lhe basta querer para ser campeão. A competição é difícil, longa e concorrida. Vai depender de outros fatores também. Mas uma coisa ninguém me tira da cabeça: ainda dá! Ah, dá!
Só que pra chegar lá, o primeiro passo é querer. Por que querer pode até não ser o suficiente, mas com toda certeza é condição indispensável. E para um clube de futebol querer, a vontade tem que vir do Presidente ao mais humilde funcionário. Se o desejo do título permear as paredes do Beira-Rio, aí sim haverá possibilidade de ganha-lo. Porque matematicamente, precisamos superar 6 equipes e tirar uma vantagem de praticamente meio ponto por rodada do atual líder. Nada impossível.
Diante disso, só me resta dizer o seguinte: eu, torcedor colorado, quero! Quero e muito! E vou além, todo torcedor colorado deseja demais essa taça! Tanto os que, como eu, nunca viram o Inter levantar o título máximo nacional, quanto aqueles privilegiados que vivenciaram a lendária década de 70! Então, já temos meio caminho andado: a torcida quer!
E vocês, dirigentes? E vocês, jogadores?