segunda-feira, setembro 12, 2011

A repetição e o escanteio

Em virtude de seu milésimo jogo com a camisa são-paulina e toda a exposição que o fato traz, uma série de programas e especiais foram feitos com o ótimo goleiro Rogério Ceni.

Nestes, o mesmo relatou fatos de seu início de carreira, as dificuldades, as ambições… Quero trazer a tona um fato em especial: sua capacidade em fazer gols.

Ceni começou a bater faltas como brincadeira, tentando, em cobranças de bola parada, acertar a trave após coletivos. Verificando uma certa intimidade em bater na bola, a atividade foi tomando carácter mais sério e após cada treino, quando todos os jogadores já estavam se dirigindo ao vestiário, lá ficava o goleiro treinando no mínimo 40 faltas.

Abnegação, perseverança, vontade de se aprimorar, confiança e qualidade transformaram o arqueiro no maior artilheiro da história em sua posição e num dos melhores batedores de falta do futebol nacional.

Em caráter menos tangível, seus gols em jogos e momentos cruciais de campeonatos como Brasileiro, Libertadores e Estaduais mudaram resultados de partidas, e por que não, campeonatos.

Leandro Demonhão, este arauto do apocalipse das defesas adversárias, pasmem, há 3 anos atrás era um jogador varzeano. Jamais participou de categorias de base e não teve a formação costumeira a um jogador profissional.

No entanto, apoiado em um programa específico ministrado pelo excelente Ortiz (pra quem não viu o mesmo jogando futsal, o cara era craque), desenvolveu fundamentos, aprimorou sua qualidade técnica, movimentação e conclusão, e hoje parece simplesmente que sua ascensão parece não ter limite.

Já é jogador de seleção e realidade fulgurante na lista de melhores centroavantes do futebol continental, e acreditem, qualquer coisa menor que 25 milhões de euros pelo rapaz vai ser uma pechincha para o comprador.

Qual a semelhança entre os dois casos citados?

Humildade, perseverança, ambição, e uma imensurável vontade de querer se aprimorar.

Agora, leitores, chegando ao cerne da questão, qual foi o último gol de escanteio marcado pelo Inter?

Quantos foram os gols marcados nos últimos anos desta importante jogada de bola parada, que pode alterar o resultado de um jogo?

Se você ainda não reparou, convido a prestarem atenção: o escanteio colorado, cobrado geralmente por D’Alessandro e as vezes por Andrézinho ou Oscar, fatalmente tem dois destinos: o “primeiro-pau” onde um zagueiro adversário afasta sem maiores problemas, ou as mãos do goleiro, pois é cobrado muito alto, no centro do gol, em claro benefício do goleiro adversário.
Isso me irrita profundamente. Não é possível que a comissão técnica e/ou ninguém tenha percebido essa deficiência alarmante da equipe.

Aposto, sem medo de errar, que o Inter nos últimos 3 anos somados não tem 5 gols de escanteio. Por gol de escanteio não incluo jogadas que terminaram em gol após a bola ser afastada da área, fruto de um novo cruzamento ou nova jogada.

Tal como Ceni e Damião, deficiências técnicas podem e devem ser corrigidas, basta querer se aprimorar.

Saber bater na bola, bem como ensaiar jogadas é não apenas um dom, mas também o aperfeiçoamento do mesmo.

Ainda espero, senão nesta década, na próxima, poder ver um “córner” a favor do meu time como um lance de perigo de gol.

A repetição traz a excelência, e num futebol mundial tão nivelado, todo detalhe faz a diferença.

Curtinhas:
• Não sei qual é o critério técnico que determina quais jogos devem ser televisionados, mas deixar de passar no PFC Internacional Palmeiras e Inter em detrimento de Coritiba e Botafogo é uma afronta à inteligência do torcedor. Só o recente ano de 2006 do Colorado é maior que toda a história dos 2 times em questão, sem desmerecimento da grandeza dos mesmos.
• O colorado tem o melhor ataque do Brasileiro, e isto numa equipe onde o Demonhão as vezes fica isolado a partida inteira. Imagina se o time tivesse um pouco mais ajustado e oscilasse menos.
• Alguém tem que dar um toque para o D´Alessandro. É inadmissível uma liderança técnica da equipe jogar 3 jogos e folgar um porque o bendito toma cartão amarelo todo santo jogo. Amarelos por reclamação são inadmissíveis.
• Muito se critica a direção, mas no caso do Damião, um belo acerto. Reajustaram prontamente o salário pra 300 mil (salário este que era pago a Sóbis, reserva de Ciro no Fluminense), deram tranquilidade pro mesmo, e na pior das hipóteses, vão faturar alto pela manutenção.