quinta-feira, maio 21, 2009

Inter! Estaremos contigo!


Relatos de uma novela em quatro atos

1º ato. Todos por ela, vem cá nêga.
(ela – personagem principal, redonda e no centro do gramado).

Bola Rolando.

Ninguém disse que seria fácil. Mata-mata raramente é tranqüilo.
Entre força e determinação de ambos os lados, foi um lá e cá intenso, excitante, nervoso e com ares de cenas de perseguição, onde num segundo o carro vira duas vezes e volta pro curso de origem. Ninguém pisca os olhos, pois nessa fração de segundo acontecem tantas coisas que o mundo acaba, voltam os dinossauros, evolução das espécies, homo sapiens e novamente o futebol.

O time da Gávea não estava disposto a entregar a rapadura.

(Sobre a protagonista: Bola é geniosa porque é substantivo feminino. Quem muito faz antes, paga depois. Mulheres anotam tudo num caderninho formado basicamente por hormônios e mitocôndria, que fica num cantinho do lado direito do cérebro. E não esquecem. Nunca mais. Algumas rebatem, outras deixam quieto - não é pra tanto. A bola é das que devolve).

Então, é aquela velha história, mesmo que atletas sejam passíveis de erros que tomam proporções maiores, principalmente no futebol, não há como fugir do que a vida ensina e a danada pune. Fulaninho não tolera um drible, discute com o técnico, sai do treino mais cedo e coisa e tal. Não é que justo pelos pés de Juan veio o presente, com açúcar e afeto, para ninguém menos que Nilmar?! E deste para Taison. E é bola na rede. Gol. 1x0.

2º ato. Caprichos.
(ela – intolerante, quer sempre alguma prova de que todo esforço é pouco).

Já passada a metade do segundo tempo. Partida sob controle, retomada do meio campo. Domínio das conclusões, contenção das investidas adversárias. Mas quem manda vacilar no arremate definitivo? Perde gol fácil, se quer sugerindo estar garantido, pra ver como ela fica... Quando menos se esperou, ataque rubro-negro, passa aqui passa ali, escreveu não leu e é gol do Flamengo.

Viu como a bola é geniosa?

3º ato. Reconquista.
(ela – até o fim, te dá uma chance).

A tudo que obriga controlando, a bola devolve resignada, diante do ato heróico. Ela não deixaria morrer naquela grama seus garbosos e triunfantes amados, amantes. Era só pra dar emoção, fazer correr atrás, mostrar união, empenho e humildade. Ela não é boba, consegue o que quer. O time se dedicou inquietamente à busca do gol. Obstinados, subiram com valentia ao ataque. Nos últimos minutos, Glaidson veio do banco pra sofrer falta na entrada da área. D’Alessandro, na consciência de seu cansaço e confiante nos seus, deixa Andrezinho bater.

(Esse Gringo não é craque por acaso. Tem muita estrela do futebol que bateria aquela falta, chamando pra si, mascarando a fraqueza do ego. Jura que assim, a tinhosa entraria! É... em terra de samba, quem manda no tango, entende a redonda).

E a moça ali, parada, entregue, despida de imposições ou rancores. Andrezinho poeticamente a mandou pro fundo das redes.

4º ato. Final feliz.

A nação colorada, mesma que outrora sofreu com emoções inversas, quando tudo podia estar muito bem, que acabava mal; vive hoje uma história de amor com essa camisa vermelha, que só pode mesmo entoar, alto e vibrante: Tu és minha paixão!


* Taí a oportunidade única da torcida rubro-negra reivindicar origem de algo que é sucesso do Inter e veio do Flamengo: Andrezinho.