segunda-feira, maio 18, 2009

Quem nasceu pra Rei...

Em resposta ao técnico Wanderley Luxemburgo, ao dizer que o Inter precisa ganhar grandes títulos para ser considerada a melhor equipe e que a Sul-americana seria uma competição de segunda linha.

— Primeiro, ele tem razão quando analisa que a gente tem que conquistar títulos: é isso que a gente quer, é isso que a gente vem dizendo. Temos que provar ainda que temos um grande time. Agora a Sul-americana só quem ganha é que sabe que é de primeira linha. Quem não ganha não pode saber.

Lucidez e confiança refletem o peso da declaração de Fernando Carvalho. Poderiam estar fixadas por todos os lados do vestiário colorado estas duas palavras de ordem. E se não estão a olhos vistos, pelo empenho do grupo, talvez estejam vibrando no pensamento de cada um.

Pelo segundo ano consecutivo iniciamos a temporada com goleada na final do regional - inclusive pelo mesmo placar – e o título de melhor equipe do Brasil, desde jornalistas até jogadores. Em pesquisa recente com os capitães dos vinte times da serie A, deu Inter disparado, provável candidato a vencer o Campeonato Brasileiro.

Chegar na festa com fama de a mais gostosa pode ser ótimo pro ego, só que, lógico, ao saberem disso todas as demais gostosas compram um vestido novo, mudam o cabelo, cuidam da pele e voltam pra academia. Resultado, no som do primeiro acorde, tem mais dezenove beldades roubando a cena no salão, dançando como divas, falando inglês, espanhol, francês; segurando a taça como princesa e mirando a luz da lua com ar blasé.

Ou seja, neguinho pode empatar com o Santo André, mas joga a vida contra o Inter. Isso é bom e ruim. Bom quando se tem lucidez e só pode ficar ruim no exagero da confiança. Este início de campeonato é delicado e fundamental. Há de se ter atenção a cada segundo, respiro ou suspiro. Os jogos iniciais deste brasileirão têm sido pro Inter como os primeiros quinze minutos de partida em campo adversário: tem que segurar o ímpeto oponente, jogar na firmeza e cautela, que passado o primeiro quarto eles vão cansando e nós, crescendo.

Deixa as meninas balançarem seus vestidos esvoaçantes, gastar o sorriso ingênuo, mandarem beijos pro ar. Deixa falar, provocar, menosprezar: “O concurso em que foi rainha nem era tudo isso”. Vai dançando no teu ritmo, de canto, prudente, na sutileza que esconde intenção determinada. O baile segue. A música tocando e na hora do Abba, Dancing Queen, é que se conhece quem nunca perde a majestade.