quinta-feira, junho 02, 2011

Referência jamais esquecida

Me sentei na frente da TV. Liguei o aparelho, faltavam cinco minutos para início do jogo. O adversário era forte, multicampeão, vinha numa crescente de títulos nos últimos anos. Decisão de campeonato. Times postados lado a lado, Hino Nacional sendo executado. Gigante da Beira-Rio lotado. Antes mesmo de a bola rolar, a torcida ecoava dois cantos que marcaram aquela competição que o Inter não participava há mais de 10 anos.

"Ooooooo vamo vamo Inter, vamo vamo Inter, vamo vamo Inteeeeeeeeerrrrr".

Passadas as celebrações oficiais que antecedem uma decisão, a bola começa a rolar. Tensão total no Gigante. Tensão minha e de milhares de colorados em todo o mundo. A partida começa tensa e o Inter, aparenta estar nervoso. O rival daquela noite começa atacando mais. No entanto, aos poucos o Inter controla o jogo e, com muita GARRA, muita VONTADE, vai tomando conta da partida contra um dos gigantes do futebol sul-americano.

O final desta história todos conehcemos. Até então, foi o jogo mais importante da história do Internacional, a decisão daquela Libertadores que veio a ser a primeira, de muitas conquistas internacionais do time.

E que saudade daquele time de um passado recente. Muitos falam daquele time de 75, 76 e 79, que não vi jogar. Mas como tenho que falar do time que vi jogar, vou pegar como referência o time campeão da América daquele ano. Hoje, no papel, o Inter tem um grupo mais qualificado que aquele. Mas na verdade pouca coisa mudou, principalmente se formos falar de goleiros e zagueiros.

Goleiros: em 2006, tínhamos Clemer. Insegurança de grande parte da torcida no Clemer. Insegurança de 95% dos colorados em Renan.

Zaga: Bolivar era, de fato, o General naquela defesa. Hoje, está mais para recruta que dança o Hino Nacional no formato funk. Tem história e essa merece respeito. mas hoje, não dá mais. Fabiano Eller: foi seu último bom momento, assim como no Mundial, meses depois da LA'06. Hoje, o Rodrigo, mais para jogador de pebolim do que para um zagueiro do time da grandeza do Inter. Índio: ao lado de Figueroa, foi o maior zagueiro da história colorada. Mas, assim como Bolivar, seu tempo já passou. E passou da hora dele estar nas bandas do Beira-Rio. Um dos históricos de maior respeito dentro do Gigante.

Laterais: Hoje, temos Nei. Nem vou falar nada. Naquele tempo, era Ceará. Muita gente não levava fé no Ceará, mas foi fundamental naquela Libertadores tendo, inclusive, marcado o primeiro gol na competição contra o Maracaibo. Hoje é o Kléber. Atuações irregulares. Preguiçoso, só joga quando quer. Em 2006 era Jorge Wagner. Gols importantes na Copa, coim certeza foi mais efetivo do que estpa sendo o Kléber hoje. Acho estranho como um dos melhores laterais do Brasil pode estar caindo tanto de produção.

Meio-campo: em 2006, o carregador de piano era Edinho, o GUERREIRO. Não tinha qualidade, mas lutava sempre. Hoje temos o Guiñazu, que tem mais qualidade que o Edinho e também é guerreiro. Melhorou em relação aquele time. Tinga estava no auge em 2006. Indiscutível e muito PELEADOR! Hoje, temos na titularidade o Bolatti. Baita jogador, mas parece estar entrando na onda de outros jogadores do grupo, devagar quase parando. O Tinga de hoje não serve nem para arremedo do Tinga de 2006. Alex de 2006: tímido, ainda despontava como promessa, que só veio estourar, de fato, em 2008. Comparado com o todo-poderoso D'Alessandro, um nada na época. D'Alessandro é, sem dúvidas um bom jogador. Mas, assim como Kléber, joga quando quer. Alex não amarelava. D'Ale amarela.

Ataque: Hoje, temos Zé Roberto. Naquele tempo, Sobis no auge, com todo o gás. Em 2006, o Fernandão, um dos maiores da história colorada. Hoje, Damião, titularíssimo.

Fiz esse comparativo para dizer que, se hoje fosse o time de 2006 dava mais credibilidade. Pelo menos os caras lutavam. E hoje, o que devemos fazer? Orar, pois é o que resta.

As viradas naquela Libertadores (Nacional e Pumas, duas vezes) levavam o torcedor a sempre acreditar que a vitória era possível. O torcedor colorado carregou isso consigo, esse sentimento de acreditar, sempre até o Mazembaço, quando muitos lembraram que a virada poderia vir. Hoje, esse sentimento evaporou da mente de muitos, pois as atuações do time levaram ao o sentimento de desacreditar.

Mas ainda está cedo. Siegmann, mostre os compactos dos jogos daquela Libertadores ao atual elenco. Falcão, faça o espírito guerreiro daquele time encarnar nos jogadores. Tudo isso mesclado com o aproveitamento da gurizada da base e contratações para arrumar, principalmente a cozinha.

O sentimento de acreditar, como ocorria em 2006, continua vivo para mim. Difícil isso vendo o momento que passamos. Mas não jogo a toalha ainda e acredito.