quarta-feira, agosto 12, 2009

Com a Pulga atrás da Orelha

Neste colorado que vos escreve há um “que” de reticências pairando no ar.

Ressabiado com eventos que se assemelham em demasia aos recentes anos de decepções futebolísticas, a pergunta que vos questiono é uma só: “quais as reais aspirações do colorado nesse campeonato brasileiro?”

Iremos brigar pelo título? Ou a Libertadores estará de bom tamanho face as deficiências de mecânica de jogo e péssimo momento técnico de alguns jogadores? Ou pior ainda, sem comando e sem jóquei deveremos no fim nos conformar com a Sulamericana?

Confesso-lhes que não tenho a resposta para esses questionamentos. A questão anímica, sinceramente, parece preponderante para balizarmos aonde esse time pode chegar.

Em uma ponta do iceberg, um time que passou o primeiro semestre praticamente de maneira irretocável, chegando à final da copa do Brasil e liderando o campeonato brasileiro jogando com time misto e com foco dividido entre as duas competições.

Em contrapartida, um segundo semestre de uma equipe sem confiança, conformada com a derrota e com a queda de rendimento, sofrendo gols a rodo e incapaz de apresentar um futebol convincente.

Jogadores outrora decisivos divorciaram-se do bom futebol, a zaga antes intransponível falha com frequência assustadora e o esquema com 3 volantes mostra-se improdutivo, afundando técnico e taticamente.

Das últimas 5 partidas fora de casa, derrotas “ao natural” para Atlético-Pr, Botafogo, Grêmio e Flamengo, e uma mísera vitória contra o Náutico, distantes mais de 2 meses atrás.

A saída de Nilmar e Álvaro, somadas ao retorno de Sorondo e afastamento, momentâneo ou não de D´Alessandro e Magrão mexeram radicalmente na fotografia do time.

Mudança que pode ficar ainda mais acentuada com a chegada de Edu, Eller e talvez Cléber Santana. O destino ainda está se encarregando de dar uma força, forçando o afastamento do pesado, lento e caricato Índio pelas próximas 2 ou 3 rodadas.

Muda-se a fotografia do time e muda-se o rótulo de favorito ao título (agora em mãos paulistas). Muda-se mesmo até as certezas e as convicções.

O que se espera, acima de tudo, é que mude o estado resoluto em que vêm se aceitando as derrotas e se adiando as mudanças realmente necessárias.

Mudança de postura, de discurso, de ambição. Mudanças de escalação e de esquema tático.

Se o novo Inter que projeta-se para o segundo semestre é o de real postulante ao título nacional e não de vaga a Libertadores, a volta das vitórias fora de caso é inadiável.

Três pontos contra o Santo André são fundamentais para a reconstrução de uma confiança abalada, que não atinge apenas os jogadores, mas mostra-se incrustada no seio da ressabiada torcida colorada.

Qual Inter veremos sábado? Ou melhor, o que ambiciona este time?

Estou ansioso pela resposta.