terça-feira, agosto 11, 2009

O Papai adverte: a gangorra quebrou!

O ano de 2002 não é das melhores recordações para nós, colorados. Aquele sofrimento todo do Mangueirão, numa rodada em que além da vitória, precisávamos de dois, três, quatro, sei lá eu de quantos resultados paralelos para permanecermos na primeira divisão do futebol nacional, foi um sufoco pelo qual colorado nenhum quer passar de novo. Menos mal que teve um final feliz. Ainda assim, em se tratando da rivalidade provinciana, em 2002 o ano foi nosso. Sim, porque o título do Gauchão foi colorado e a vaga, bem, já há sete anos que a gente explica: vaga não é título!

Pois veio o ano de 2003. O rival na Libertadores cairia para um inexpressivo time colombiano, que por sua vez perderia para o Santos que perderia para o Boca. Nós encordoávamos o Bi do Regional, não sem antes acabar com um jejum em clássicos. Em seu centenário, o aniversário do rival ficou mais marcada por uma perspicaz e espirituosa carta de felicitações do nosso Presidente, Fernando Carvalho, que por sucesso dentro de campo ou festejos fora dele. É bem verdade que naquele ano eles escaparam do birrebaixamento e fizeram festa no final da temporada, mas o rescaldo foi um título pra cá e nada pra lá. Mais um ano vermelho.

No ano seguinte, lavada colorada! Conquistaríamos o tri-campeonato gaúcho, desta vez, sem grenal. O tricolor sucumbiria diante da poderosa Ulbra enquanto nós triunfaríamos em domínios luteranos, com um a menos em campo e gols de Edinho e Nilmar. Para completar o ano encarnado no futebol gaúcho, venceríamos o clássico do Beira-Rio com direito ao gol 1000, do estreante e predestinado Fernandão. No segundo turno do nacional, fechamos o caixão do rival em plena Azenha, com três gols que encaminharam o time azul para a segundona. Não sem antes eliminá-los na Sul-Americana.

O triste ano de 2005 ficará marcado eternamente nos corações e nas mentes tanto de colorados quanto de gremistas. No primeiro semestre, sagramo-nos Tetra do Gauchão. No segundo, seríamos campeões brasileiros em campo, mas roubados dentro e fora. Inexplicavelmente, na segundona, onde também havia árbitros envolvidos na chamada “Máfia do Apito”, nenhum jogo foi anulado. Talvez naquele fim de ano, muita gente achasse que o ano havia sido azul. A tradicional imprensa tricolor sugeria, subliminarmente, como de costume, que ser primeiro da segunda era melhor que ser segundo da primeira. Claro, para a imprensa gremista, só vale comemorar vaga se for a deles. O fato é que, passados alguns anos, hoje todo colorado ri com a Batalha dos Aflitos, enquanto os gremistas (ao menos os mais lúcidos), preferem escondê-la. Por isso, mais uma vez, eu afirmo: o ano foi colorado, sim!

Então veio 2006... Depois de escrever, ler ou pronunciar este número, todos nós, gaúchos amantes do futebol, devem respirar profundamente. Uns por deleite, outros, em agonia. Não poderia ter sido melhor!

O ano de 2006 foi de explosão em alegria tricolor na final do Gauchão. Desperdiçamos o penta, é verdade, mas alguém trocaria? Campeão da América e do Mundo, com direito a terminar o ano na frente do rival no Brasileirão, graças a uma amarelada típica da Azenha contra o poderosíssimo Fortaleza. Talvez tenha sido o ano mais colorado da história do futebol!

Já 2007, tenho que reconhecer, dentro de campo, a Azenha/Humaitá (nem eles mais sabem o que são), foram melhores. Mas em resultados, que afinal é o que conta, ainda deu Inter. Claro que sim! Um Gauchão deles contra uma Recopa nossa, agregada ao selo de qualidade Tríplice Coroa Sul-Americana, a mim não deixou dúvidas. Além disso, foi o ano da flauta máxima. Claro que nós, colorados, sofremos secando na Libertadores, mas aquela final contra o Boca continua rendendo corneta até hoje.

2008 foi o ano da Copa em Dubai, de mais um título estadual para o colorado e da inédita Copa Sul-Americana. Eles? Mais uma vez comemorando vaga, mas não sem antes nos municiarem com mais um arsenal de piadas, agora, de cavalo paraguaio, graças à inédita entregada do Brasileirão, após liderar com folga o primeiro turno. Mas a cereja do bolo foi o grenal do segundo turno do Brasileirão: 4 x 1!

E aqui estamos, em pleno 2009, ano do centenário colorado. Bi-campeões gaúchos, com três vitórias em três grenais, um deles, um dia após nosso centésimo aniversário. Neste ano, em confrontos diretos, a vantagem já é nossa. Não vieram a Copa do Brasil nem a Recopa, mas veio a Suruga, enquanto eles, eliminados na Libertadores, hoje estão 5 pontos atrás de nós no nacional, mas com duas partidas a mais já disputadas.

Mas o alerta que quero soar com a notícia de que a gangorra quebrou já faz sete anos e ninguém conserta, é de que todo esse arsenal de vuvuzelas entre rivais que descrevi acima, só serve mesmo para tirar uma onda dos rivais. Brincar em gangorra quebrada pode ser perigoso, a gente pode acabar se machucando.

Primeiro, porque as provocações entre rivais devem ser em ambiente saudável, onde todos aceitem a brincadeira numa boa, sem descambar para agressões verbais e muito menos qualquer tipo de violência.

Depois, porque se já não temos mais um rival à altura quanto falamos em títulos conquistados nesses últimos anos, devemos atentar para o fato de que nosso nível de exigência deve obedecer a novos parâmetros, sob pena de nos nivelarmos por baixo.

Portanto, aprendamos as lições desses últimos anos e nada de se contentar com vaga. Em 2005, choramos o título roubado, não comemoramos vaga. Em 2006, ganhamos o continente e o planeta. Agora, em 2009, miremos o título nacional e, se não vier, vamos buscar a América em 2010, mas sem foguetes, sem festa, sem nem mesmo flauta. Afinal de contas, colorado que se preza, só comemora de faixa no peito, bicho no bolso e taça no armário!