segunda-feira, agosto 17, 2009

Grupo

O Inter aprendeu e vem aplicando a fórmula São Paulo de sucesso no futebol. Entendeu que para vencer um campeonato longo é preciso ter grupo. E isto significa que o cara em frente à casamata tem que poder olhar pro banco e encontrar opções a altura dos que estão em campo. Talvez a derrota na Copa do Brasil tenha, por fim, escancarado a lição que vem aplicando há alguns anos o clube mais vitorioso do país. Imaginem se nos jogos contra LDU, que terminaram por desgastar o vestiário, o técnico Tite pudesse contar com Cleber Santana no lugar de Magrão, Edu para D’Alessandro, ou Fabiano Eller em vez de Álvaro. É desse jeito que o São Paulo joga a Libertadores no primeiro semestre e o Brasileiro no segundo. Um dos dois o clube leva.

Giuliano há horas devia o futebol que vem apresentando nos últimos jogos. Visivelmente afoito, teve no peso da camisa seu maior adversário até aqui. Garoto que é, sentiu a pressão como tal e aos poucos vem se firmando no meio campo colorado. Além dele, Magrão vai ter que suar “pedra dos rins” pra voltar ao time titular e, ao que tudo indica, Cleber Santana está chegando pra acirrar a disputa. Com ele vem também a Copa Sulamericana e vá, quem sabe, o pavor das lesões e cartões no decorrer da temporada - morte lenta dos times no Brasileirão.

Se trouxer um lateral direito de ofício e carteirinha, o Inter fecha o primeiro turno do nacional com grupo mais forte do que iniciou, dá um chute na crise pós-derrota-em-final e um importante passo rumo ao título mais desejado pela nação colorada desde o Mundial no Japão, em 2006: O Campeonato Brasileiro.

Não caiam nessa de quem é melhor, D’Alessandro ou Andrezinho. Melhor é ter os dois. Que maravilha não depender do psicológico del cabezon. Quem fez Taison marcar um belo gol no jogo de sábado foi Bolaños! Sorondo desbancou Álvaro e agora faz Bolívar disputar posição com seu antigo companheiro Eller, pois garantido só o uruguaio, que pula da esquerda pra direita se for o caso, mas não deixa aquela zaga nem por decreto.

Assim podemos ter, digamos, uma espinha dorsal da equipe, aqueles que, a princípio, estão garantidos: Lauro, Sorondo, Sandro, Guiñazu, Kleber e Alecsandro. As demais posições não possuem titularidade absoluta, seja por desempenho, opção tática, desgaste, duas competições concomitantes, dor de dente, galho de arruda ou sei lá o que. O certo é que o grupo que acumulou gordura na tabela no início do campeonato está sendo reforçado. Muito embora tenha deixado escapar uma grande e outra pequena final, abatido e rendido; o colorado inicia o returno com dois jogos a menos, 33 pontos, terceiro lugar na tabela e grandes chances de retomar a liderança no cumprimento dos jogos em atraso.

Pensando nos reforços me perguntei, por que não temos a formação deste consistente grupo no início do ano? A resposta é que aprendemos não só a perder jogadores na janela de agosto, mas também comprar. Então se faz um contrato de dois a quatro anos que permite o jogador render o que nele foi investido e valer a contratação em meio de temporada.

É sempre ruim e, mais que isso, arriscado montar um time em agosto, mas, veja bem, eu disse montar, elaborar. O Inter de 2009 difere o de 07/08 justamente nisso, não se forma, se reforça em agosto. No fim do ano saberemos o quanto evoluiu a gestão do futebol dos anos anteriores para este. Até aqui o saldo foi positivo. Apesar da decepção na copa e o desgaste que esta causou, foi o grupo sem reforços de agosto que levou o Inter até a ponta de cima da tabela no Brasileiro. Aguardemos novas caras que irão, no mínimo, solucionar velhos problemas.

Tem também aquela coisa chata de imprensa que no começo da temporada pergunta quem é a melhor equipe e todo mundo responde que é o Inter e todo o mesmo mundo joga a vida contra o Inter. Acho que se o ano iniciasse com mais Edu e Eller, alguém quebraria a perna do Nilmar, só pode.

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