segunda-feira, agosto 03, 2009

É tudo culpa minha

Blog Vermelho adverte:
O texto que segue apresenta fenômenos sobrenaturais e ausência de modéstia.



Crise técnica, brigas de vestiário, falta de ânimo, derrotas, tristeza, fragilidade pública e notória; tudo isso provem de uma única razão. A verdadeira causa da queda colorada no último mês (preciso dizer) sou eu. Não posso mais esconder tal informação de uma torcida tão apaixonada e de nobre devoção. Minha culpa. Minha máxima culpa.

Toda vez que eu me afasto, o Inter cai em desgraça.

No começo pensei que fossem apenas coincidências, superstições tolas, destas que nos acompanham por toda vida de torcedor. Mas não. Os sinais foram surgindo, cada vez mais evidentes, até que minha angústia chegasse ao ponto desta pública confissão.

Tudo começou em 2008, quando decidi fazer uma viagem de meses pela Europa. Há anos que vinha preparando uma temporada no velho mundo, sempre foi meu desejo e chegara o tão sonhado momento de pô-lo em prática. Antes disso acompanhei a campanha colorada na Copa do Brasil, até o primeiro jogo contra o Sport, no Beira Rio. É bem verdade que ainda estava em solo brasileiro quando perdemos na Ilha e por este motivo não dei atenção ao que seria o sintoma inicial: eu não vi o segundo jogo, devido ao grande número de compromissos profissionais, às vésperas da viagem.

Cheguei em terras do além mar crendo que tudo ficaria bem e que minha ausência não provocaria maiores conseqüências, muito pelo contrário, imaginei-me buscando notícias por internet, lendo sobre grandes jogos vencidos pela camisa alvi-rubra, descritos em relatos jornalísticos, crônicas e até poesia. Pois não, acabei sabendo que Clemer tomava gol de bola recuada e sofríamos placar de goleada em derrota para time que mais tarde cairia para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Fernandão deixava o Clube. E pior, o Grêmio era o líder.

Era muito difícil acompanhar todos os jogos por internet, onde a conexão te faz assistir jogo de “gago” e de tempos em tempos a tela avisa que o número de acessos estourou e fica tudo preto. Mesmo assim eu tentava, sentindo que meu time precisava de mim. Em meio à fase negra todo jogo que eu conseguia ver, o Inter empatava e o que não via, o time perdia. Até que resolvi apostar na desgraça alheia e passei a afirmar que no momento em que eu pusesse o pé no Salgado Filho, o Grêmio não seria mais líder. Também decidi que buscaria uma boa conexão para acompanhar o grenal (aquele do vamos “passar a máquina”) e pude assistir o jogo inteirinho. Vencemos por 4x1, o tricolor caiu da liderança e quando finalmente aterrissei em Porto Alegre, o próprio já não ocupava mais a ponta da tabela.

De volta ao lar, acompanhei então a última fase da Copa Sulamericana e muito comemorei aquele gol do garotinho Nilmar, num Beira Rio lotado - minha terra, meu chão.

Neste ano viajei novamente para Europa, desta vez por trinta dias, justamente o mês que acaba de passar. Cheguei segunda-feira (dia 27) de volta à cidade. Não estava aqui na final da Copa do Brasil e só retornei ao estádio no jogo contra o Barueri. Quando cedemos o empate, vieram gritos de todos os lados: de novo, vai ser igual ao jogo contra o São Paulo!
Pensei “não vai não, porque agora eu tô aqui”.
E vai Sorondo pra área... ufa.

Desculpem-me amigos, eu não deveria ter saído de perto, mas não pensei que minha segunda viagem provocasse tamanho estrago. E nunca pensei que vocês tivessem tão pouca sorte, bando de pé frio.

Mas agora eu voltei. Rumo ao título.

* Por medida pessoal preventiva, meu passaporte encontra-se guardado em cofre de segurança máxima.