terça-feira, agosto 04, 2009

Considerações Sobre Planejamento

Em dezembro de 2006, Vitório Píffero, sucessor indicado por Fernando Carvalho, foi eleito por aclamação, pelo Conselho Deliberativo do Internacional, o Presidente do clube para o biênio 2007/2008. O escolhido para o seu lugar enquanto Vice de Futebol foi Giovanni Luigi, que deixava a Vice-Presidência de Administração, onde desempenhou uma gestão excelente. Já em solo japonês, o presidente recém eleito anunciava a renovação de contrato do técnico Abel Braga. Dias depois, o clube se sagraria Campeão do Mundo.

Ainda embriagado com o título mundial, o Inter começava o Gauchão com seu time B, enquanto o grupo principal, que retornara de férias mais tarde, fazia uma festiva pré-temporada em Bento Gonçalves.

Contudo, as coisas não andaram conforme o esperado e uma brusca mudança de planos ocorreu ainda no primeiro semestre. Planejamento alterado, desastre consumado: duas eliminações na primeira fase, tanto no regional quanto na continental. Então saiu Abel e veio Gallo. O clube estava com presidente novo, vice de futebol novo e técnico novo. Todos, inexperientes em seus cargos. Mas no vestiário, um grupo de jogadores experientes e Campeões do Mundo, só que de ressaca.

Mas quando o efeito do saquê japonês estava passando, tomamos um porre de tequila para ficar na história: Campeão da Recopa/Tríplice Coroa! Uma ilha de excelência num mar de mediocridade em que se transformara o futebol do Inter em 2007. Antes do fim do ano, Abel Braga retornaria à casamata colorada.

Perdoados pelos equívocos da temporada anterior, a dupla Píffero e Luigi começaria o ano de 2008 com uma pré-temporada inédita: a Copa em Dubai. Um título para ficar na história! Uma final memorável com golaços de Fernandão e Nilmar! Algo para se orgulhar! Mas era só a pré-temporada.

Então veio o Gauchão e dele eu só me lembro da final: Inter 8 x 1 Juventude. “Carrossel Colorado”, “Bergamota Mecânica”, alardeava a imprensa! Mas o time, que já vinha aos trancos e barrancos na Copa do Brasil, seria desclassificado nas quartas de final contra o Sport, num jogo cuja história dos bastidores até hoje está mal contada. E a casa, ou mais especificamente o vestiário, caiu.

Abel foi para os Emirados Árabes, sendo seguido pouco depois por Fernandão. Iarley foi para o Goiás e o grupo sofria alterações significativas, notadamente, suas lideranças. Rodada após rodada do Brasileirão, a diretoria renovava a convicção de que era possível conquistar uma vaga para a Libertadores, mas os resultados de campo desmentiam essa possibilidade. Eis que surgiu a tábua de salvação: a Copa Sul-Americana.

Grêmio e Universidad Católica eliminados, no saldo qualificado. Depois, venceríamos o time misto do Boca. Vitórias tranquilas contra o Chivas e, na final, vitória na prorrogação contra o Estudiantes. Temporada salva!

Foi após essa trajetória que Vitório Píffero chegou ao seu segundo pleito no Inter, concorrendo à reeleição. Mas desta vez, não haveria simples aclamação. O Conselheiro Cláudio Bier apresentou-se como candidato, conseguindo passar para o 2º turno por 2 votos no Conselho. Entretanto, ainda no entusiasmo da Sul-Americana (Campeão de Tudo), diante do discurso pouco empolgante (para dizer o mínimo) do candidato oposicionista e com o anúncio de Fernando Carvalho como “novo” Vice de Futebol, Píffero foi reeleito com mais de 91% do voto dos sócios.

O ano do centenário começou festivo. Na final do Gauchão (2º turno), o mesmo placar da decisão do ano anterior, desta vez contra o Caxias. Teria sido um sinal? O fato é que, dali para a frente, situações muito parecidas com as do ano anterior ocorreram.

Mais uma vez o Inter perderia a Copa do Brasil, agora na final. E mais uma vez, após essa desclassificação, a casa (vestiário) caiu! Novamente o grupo sofreu alterações e, de novo, no Brasileirão, começou o discurso da vaga na Libertadores.

Em todo esse relato, o que estou tentando fazer é compreender qual a principal característica da gestão atual no futebol. Infelizmente, percebo no Inter uma certa dificuldade em planejar o seu futebol para toda a temporada, sem padecer com tantos altos e baixos. Por mais que se sofra com a simultaneidade de outras competições, com as convocações para seleções principal e de base e com a maldita janela de transferências, um grande clube, que conhece o seu calendário de jogos e o seu grupo de jogadores, tem que se preparar para minimizar tantas interferências. Como? Priorizar efetivamente a competição mais importante do ano, já seria um bom começo.

Indubitavelmente, chegar até as finais de torneios como a Copa do Brasil e a Sul-Americana geram receitas extraordinárias para o clube. A cada nova fase, mais cotas de TV, mais premiação dos patrocinadores e mais sócios. Mas e os títulos de expressão, vão ficar em segundo plano? Ah, e por favor, não me venham com essa tal de Suruga. Na boa, com perdão do trocadilho: Suruga é foda!