quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Craques do Passado I - Figueroa


Ao acompanhar uma discussão, em uma das comunidades coloradas no Orkut, sobre Figueroa e Índio, percebi como alguns grandes jogadores são pouco conhecidos, ou até mesmo desconhecidos das novas gerações.

Sem desmerecer o atual zagueiro colorado, comparações que o apontavam como superior ao Figueroa me estimularam a fazer um artigo “apresentando” o craque colorado, para que estas novas gerações possam fazer uma comparação mais justa. E, pensando um pouco mais, lembrei que outros craques do passado também merecem “renascer” para os torcedores mais novos (muitos dos quais nem eu mesmo vi jogar).

Mas comecemos a série de craques colorados com Don Elias Ricardo Figueroa Brander.

Figueroa nasceu em 25 de outubro de 1946, em Valparaíso. Começou sua carreira profissional no Santiago Wanderers (que apesar do nome tinha sede em sua cidade natal, Valparaíso) em 1963. No ano seguinte, atuou no pequeno Unión La Calera, retornando ao Santiago Wanderers em 1965.

O bom futebol do zagueiro levou-o à seleção chilena, e à Copa do Mundo de 1966. O Chile caiu na 1ª fase, mas Figueroa foi titular nas três partidas, demonstrando qualidade. Ainda na temporada de 1966, o Santiago Wanderers ficou em 3º lugar no campeonato chileno, com a defesa menos vazada da competição.

O bom futebol do zagueiro atraiu a atenção do Peñarol, que o contratou, no início da temporada de 1967. Em Montevidéu, Figueroa sagrou-se campeão uruguaio nas duas primeiras temporadas (1967 e 1968). Disputou também a Taça Libertadores, entre 1967 e 1971. Foi 3º lugar em 1968 e 1969, e vice em 1970.

No final da temporada de 1971, o Internacional resolveu contratá-lo, para responder à contratação de Ancheta, zagueiro do Nacional e da Seleção Uruguaia, pelo Grêmio. O impacto, em Montevidéu, foi muito forte. Centenas de sócios do Peñarol protestaram em frente à sede do clube, rasgando suas carteiras.

No Colorado, Figueroa estreou em 1º de dezembro de 1971, contra o Vasco da Gama, pelo campeonato brasileiro. Vencemos por 3x0. Na partida seguinte, o adversário era o Santos, no Morumbi. Figueroa prometeu que Pelé não ia jogar, e não jogou! Bráulio decretou a derrota santista: Internacional 1x0. Na última partida do campeonato, nova vitória: 1x0 no Atlético MG, futuro campeão, em pleno Mineirão.

No Internacional, Figueroa desfilaria categoria, marcaria gols e levantaria taças. Entre as curiosidades coloradas relacionadas ao zagueiro, está o primeiro gol do Internacional na Europa: Figueroa marcou no empate em 1x1 com o Olympiakos. Mas entre seus 26 gols marcados pelo Colorado, sem dúvida o mais importante foi o que deu ao Internacional seu primeiro título brasileiro, na decisão contra o Cruzeiro, em 1975.

Enquanto declamava poemas de Neruda, Figueroa ganhava títulos. Venceu todos os campeonatos gaúchos que disputou (1972-1976). Também venceu o campeonato brasileiro por duas vezes (1975-1976). E participou da primeira Libertadores disputada pelo Colorado, em 1976. Em 1974, disputou a Copa do Mundo, pela Seleção Chilena.

Atuando pelo Colorado, Figueroa também ganhou títulos pessoais. Foi escolhido o melhor jogador da América por três vezes seguida, entre 1974 e 1976. Também apareceu na lista de melhores da América em 1972 (7º) e 1973 (6º). No campeonato brasileiro, recebeu a Bola de Prata de melhor zagueiro em 1972, 1974, 1975 e 1976. E também recebeu a Bola de Ouro, de melhor jogador, em 1976.

No início de 1977, após tantos títulos, Figueroa decidiu voltar para o Chile, e pediu para ser negociado com o Palestino. Na despedida do Colorado, no amistoso contra o seu novo clube, o jogador estava visivelmente emocionado. Cometeu muitos erros durante a partida, e na hora da despedida, quando foi substituído por Marião, saiu de campo com lágrimas escorrendo pela face.

Na nova equipe, Figueroa conquistaria a Copa Chile em 1977, e o campeonato chileno em 1978. Na escolha dos melhores da América, ficou em 3º em 1977 e 6º em 1978. Em 1979 fez parte da seleção chilena vice-campeã da Copa América.

Em 1981, já aproximando-se do final da carreira, foi jogar no Fort Lauderdale Strikers, dos Estados Unidos, chegando às semifinais do campeonato norte-americano.

Em 1982 retornou ao Chile, para jogar no Colo Colo, e defender o Chile em mais uma Copa do Mundo. No final da temporada, Don Elias decidiu encerrar a carreira.

Em 1996, em uma situação de emergência, Figueroa treinou o Internacional, no campeonato brasileiro. E, no final do século XX, em uma eleição onde jornalistas esportivos de toda América do Sul votaram, ele foi escolhido para a Seleção Sulamericana de todos os tempos: o único jogador que não era brasileiro ou argentino, nesta seleção.