quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Craques do Passado II - Salvador

Milton Alves da Silva nasceu em Porto Alegre. Começou a jogar futebol na equipe do Colégio Pão dos Pobres, na década de 1940. Recebeu o apelido por considerarem ele parecido com outro aluno da escola, que havia jogado na década de 1930.

Salvador profissionalizou-se no Força e Luz, onde rapidamente chamou a atenção do Internacional, que o contratou, no início de 1950. Sua estréia no Colorado ocorreu em 14.04.1950, em um amistoso contra o poderoso Peñarol, nos Eucaliptos. O time uruguaio contava com jogadores como Máspoli, Ghiggia e Schiaffino, que seriam campeões mundiais pelo Uruguai pouco tempo depois. O Peñarol venceu por 6x4, e Salvador entrou no time durante a partida, substituindo Oreco.

No Internacional, Salvador jogaria entre 1950 e 1955. Centromédio habilidoso, de muita técnica, mas também de raça. Alguns que o viram jogar consideram-no mais técnico que o próprio Falcão.

Mas nem só de habilidade vivia o craque. Quando era necessário, apelava para a imposição física. Foi assim que quebrou a perna de Xisto, um violento defensor gremista que costumava caçar os atacantes colorados em campo.

No Colorado, Salvador acumulou títulos: foi tetracampeão estadual e municipal, entre 1950 e 1953. Também conquistou outros títulos, como o Torneio Extra em 1950, 1952 e 1954, o Torneio Régis Pacheco, em 1953, e o Torneio de Inauguração do Olímpico, em 1954.

Em 1954, defendeu a Seleção Brasileira em 9 de maio, na vitória de 2x0 sobre um combinado colombiano, no Maracanã. Sua convocação para a Copa do Mundo era certa, mas, recém-casado, pediu para não ir à Suíça. Em 1958, gastando a bola no Peñarol, sonharia com a convocação, mas dessa vez não foi lembrado.

Seu futebol de qualidade acabou por chamar a atenção do Peñarol. Em 1953, o craque colorado foi destaque em dois amistosos vencidos pelo Internacional, no Uruguai (2x1) e nos Eucaliptos (4x0). No início de 1955, finalmente os uruguaios conseguiram contratá-lo por 2 milhões de cruzeiros, com a missão de substituir ninguém menos que Obdúlio Varela.

Nos primeiros anos no Uruguai, não conquistou títulos, mas mesmo assim agradou à torcida. Em 1957 o Internacional tentou recontratá-lo, mas o Peñarol pediu 200 mil pesos, inviabilizando o negócio. No ano seguinte, começaria sua fase vitoriosa na Banda Oriental. Foi tricampeão uruguaio em 1958, 1959 e 1960, e campeão da Libertadores, também em 1960. Disputou a 1ª Final Intercontinental, mas foi derrotado pelo Real Madrid.

Em 1961 o River Plate o contratou, para acabar com o jejum de títulos que vinha desde 1957. Seu futebol continuava brilhante, mas o peso da idade e as sequelas de uma fratura na perna, ainda no Uruguai, o impediram de ser campeão argentino (o River só voltaria a ser campeão nacional em 1975).

Depois do River Plate, perambulou por equipes pequenas do futebol brasileiro, até aposentar-se. Faleceu em 1979.

Uma curiosidade une os dois maiores centromédios da história colorada: nasceram no mesmo dia. Salvador, em 16 de outubro de 1931; Falcão, em 16 de outubro de 1953.