segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Guri de 25

Entrei na faculdade de arquitetura com dezoito anos. Graduei-me aos vinte e três, com pouca oportunidade a meus pés e muita ilusão na cabeça. Assim iniciei a vida profissional. Como outros tantos estudantes da minha idade, não fui brilhante, nem fracassada na vida acadêmica. Normal. Dessa forma, pode-se concluir que minha iniciação no mercado foi apavorante, como não deixaria de ser para qualquer mortal desse universo de linhas, planos e curvas.

Ou seja, não tenho nada de tão Wilson Matias pra relatar sobre minha trajetória, a não ser o fato de há quase um ano ter montado meu próprio escritório, saindo de uma sociedade. Outra vez, tudo dentro da normalidade, correria alucinante, período angustiante.

Eu posso temer chegar aos quarenta anos passando pelas mesmas situações de hoje. Posso me questionar várias vezes qual meu papel na sociedade. Posso morrer de amor num dia e assinar um contrato fabuloso, no outro. Posso ganhar eleições pro Conselho do Internacional. Posso perder. Posso projetar um prédio que se torne parte da história da cidade. Posso talvez não conseguir. Posso outra vez recomeçar. Posso em pouco tempo despontar. Posso deixar tudo como está ou, quem sabe, me casar.

Eu só não posso jogar futebol no Sport Club Internacional, pois não reúno condições pra isso.