sexta-feira, julho 03, 2009

A Lição da Derrota

Futebol é detalhe. Todo mundo sabe, ou deveria saber. Algumas atitudes da véspera dessa decisão me entristesseram. Não parecia o meu velho Inter.
Sou do tempo, e quero sempre lembrar disso, que quando se perguntava para um gremista o motivo pelo qual ele torcia para o Grêmio, a resposta era óbvia, mais ou menos assim, "Porque eu sou Campeão do Mundo e o Inter é uma m..., nunca ganhou de ninguém, timinho, isso e aquilo". E assim passaram os anos noventa. Dizer que meu time era "tri-campeão" brasileiro já não valia tanto assim. Viviamos do passado.
Mas quando uma pergunta parecida me era feita, eu dizia que paixão não se escolhe. Eu dizia que meu amor pelo Inter era mais sincero, porque não dependia de títulos, não dependia de nada. Amar um clube por causa de títulos, é como amar por dinheiro. Não é verdadeiro. Quando o dinheiro acaba, acaba também o falso "amor" pela camisa, pelas cores.
E era mais ou menos assim que eu via a velha "soberba gremista". Nada mais genuinamente gremista que entrar em campo, ou começar um campeonato desdenhando dos outros, arrogando-se campeão. O auge disso foi a inesquecível frase: "Caixas com grife" depois de levar três a zero no lombo, e protagonizar o maior papelão do futebol brasileiro na história da Libertadores.
Mas eis que vem uma final de Copa do Brasil contra o Campeão Paulista (regional 10 anos a frente do nosso), ou contra qualquer time de futebol que tenha chegado a uma final (seja ele grande ou pequeno), e chove soberba e provocações ao adversário. Eu mesmo escrevi semana passada que de tudo que havia, eu acreditava, como ainda acredito, na força do Beira-Rio. Mas ter "certeza" foi complicado, para mim, de aceitar. De aceitar que partia da torcida do Inter, meu velho Inter.
No texto "Por favor, não mude nada" que escrevi na passagem do Centenário do Internacional, lembrei da importância de sempre lembrarmos das derrotas, das lições e gana por vitória que tiramos delas. Em 16 de Agosto de 2006, data do primeiro grande título que pude ver o Inter ganhar, eu não vi provocações ao São Paulo. Eu não vi caixãozinho, faixas desdenhando o adversário. Eu vi uma nação com um foco, eu vi uma nação cauteloza até o último minuto, até aquele último escanteio.
E olha que tínhamos vencido o jogo épico e histórico do Morumbi.
Perder é do jogo, mas não vamos jogar essa derrota no lixo. Vamos fazer dela nosso alimento. Vamos fazer dela o resgate do nosso poder de indignação e vontade de vencer, sem fanfarronices e provocações que, no fim, só servem para motivar o adversário. Temos pela frente um campeonato que se vence respeitando os adversários, grandes e pequenos. E para sermos campeões em Dezembro, devemos resgatar nossa humildade e, no momento certo e merecido, sermos "arrogantes" por direito, garbossos e soberbos: com faixa de campeão, no peito. Até o próximo campeonato e começar tudo de novo, com gana, respeito e humildade.

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Para não passar em branco:
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Publiquei no Blog Beira-Rio, um relato interessante sobre a atuação (shows?) da Brigada Militar nos estádios de futebol essa semana. Sempre que exigidos só fazem o que sabem, distribuir socos, ponta-pés, pimenta na cara, etc... (leia aqui)