terça-feira, julho 28, 2009

Respostas de Inverno

No dia 14 de abril deste ano, publiquei o texto Dúvidas de Outono. Ainda fazia calor em Porto Alegre, estávamos todos extasiados com os festejos do centenário e com a vitória no quarto grenal seguido, o terceiro neste ano. O Intermômetro batia nos 4,5 de confiança do torcedor no time, mas eu expunha as seguintes dúvidas:

Gostaria de saber, afinal, o que o Inter vai priorizar neste ano. Planejamento mal feito gera crise, não é preciso ir muito longe do Beira-Rio para constatar isso. E uma radical mudança de planos no meio do ano pode ser ainda pior, basta ver o que se passou conosco no ano passado. Então, como vai ser a partir de maio?

Titulares na Copa do Brasil e reservas no início do Brasileirão? Ou vamos tentar encarar as duas competições com tudo? A finalíssima da Copa do Brasil está marcada para o 1º dia de julho. Portanto, quando esse torneio acabar, já terão se passado 8 das 38 rodadas do Brasileirão. Quase um quarto da competição! Se ganharmos a Copa do Brasil, já estaremos na Libertadores, mas disputaremos o principal título nacional? Ou deixaremos que se passem 30 anos sem renovar essa conquista?

Mas isso não é nada. E quem for vice da Copa do Brasil? Vai conseguir juntar os cacos e buscar a vaga na Libertadores via Campeonato Brasileiro? Possível é. O São Paulo mostrou que em um turno se pode buscar o título. Contudo, nem todo ano tem cavalo paraguaio liderando o primeiro turno.

O calendário do futebol brasileiro nos apresenta essa bagunça e dele somos reféns. Talvez surja o dia em que o Inter possa se insurgir contra essa (des)organização, mas isso ainda é sonho. A partir de maio, teremos o famigerado acúmulo de jogos. E então, como vai ser? Ficam as questões: “O Gauchão é parâmetro?”; “Nosso time é confiável?”; “A zaga é essa?”; “Ficaremos sem o Sandro?”; “Sairá alguém na janela?”; “Voltará alguém das Arábias?”

Claro que nem mesmo nossos dirigentes têm as respostas a todas essas perguntas. Algumas dessas questões não dependem exclusivamente da vontade do clube. Mas uma questão específica, aquela que somente ao Inter cabe responder, é a que mais me interessa, a que mais me inquieta: “Afinal de contas, qual é a prioridade do Inter neste ano?”

Agora, em pleno mês de julho, após dois meses de temperaturas baixas e péssimos resultados dentro de campo, percebo que meus maiores temores de outono se concretizaram no inverno. Demorou um pouco mais do que eu temia. Receava que já em maio, começaríamos a sofrer o que veio a acontecer em junho e julho. Mas deu no que deu.

E as respostas que este inverno me trazem são bem objetivas, não deixam dúvidas.

O Gauchão é parâmetro? Não, mas isso a gente já sabia.

Nosso time é confiável? Não, e disso a gente apenas desconfiava.

A zaga é essa? Que zaga? Cada jogo é uma. Até agora não sabemos qual é a zaga que, diga-se de passagem, virou uma peneira.

Sairá alguém na janela? Nilmar, e nem saberemos por quanto, se haverá direito a percentual em eventuais transações futuras, enfim...

Voltará alguém das Arábias? Pelo menos ainda resta essa esperança.

Afinal de contas, qual é a prioridade do Inter neste ano? O discurso do vestiário fala em vaga para a Libertadores. Enquanto isso, outros times menos cotados e ainda abaixo de nós na tabela, já falam em título!

Na verdade, fica claro que a grande prioridade sempre foi apenas a vaga na Libertadores. Foi tentada na Copa do Brasil, mas não veio. Mas o título do Brasileirão, aquele para o qual éramos citados como favoritos no início do campeonato por 10 entre 10 jornalistas do centro do país, bem, esse parece mesmo que nunca foi a verdadeira prioridade. Lamento muito, pois penso que é o que deveria ser.

Este inverno, além de frio uma barbaridade, me trouxe péssimas respostas para as minhas dúvidas de outono.