terça-feira, abril 14, 2009

Dúvidas de Outono

No sábado, o Fernando Moraes usou em seu texto algumas expressões que demonstram, a meu juízo, o quanto o calendário do futebol brasileiro é mal aproveitado. O próprio título já expõe essa chaga: “E quando maio chegar”. O Fernando afirma que o Inter está por terminar a sua pré-temporada no final de abril e que o ano, para nós, colorados, começa mesmo somente em maio. Não discordo.

As questões levantadas pelo Fernando são aquelas para as quais ainda não conseguimos encontrar respostas, pelo simples fato de perdermos um trimestre inteiro jogando contra adversários inexpressivos, ressalva feita ao rival citadino que, bem ou mal, foi nosso melhor “sparring” deste início de ano. Talvez possamos colocar o Juventude com eles nessa. Convenhamos, eles se merecem.

Porém, remanesce a questão: Já temos um time forte, bem armado e confiável para a parte quente da temporada? Do mesmo modo que o Fernando, entendo que ainda é cedo demais para avaliar isso definitivamente. Culpa só do calendário? Não, culpa do Tite, também. E, aí, respeitosamente, me defronto com meu outro colega de blog, o Guilherme, que no seu texto de domingo, afirma, já no título, que confia no homem.

Olha, tchê, de técnico de futebol é sempre bom desconfiar! Claro que aquela máxima de que todo técnico é burro e que bom é aquele que ainda não treinou o nosso time não me serve. As críticas têm que ser pontuais, mas, claro, sempre é devida a ressalva de que, quem está em contato diário com o grupo e conhece o vestiário, é ele e não nós.

Ainda assim, permanecem as preocupações quanto à improvisação do Bolívar na lateral direita e à veterana dupla de zaga de peso e estatura baixa, que não muda. Vejam, quando faço essas constatações, não estou chamando a ninguém de asno, muito menos insinuando que o nosso setor defensivo seja uma calamidade. Mas acho que pode ser melhor e, principalmente, mais confiável. A bola aérea foi um problema contra Juventude, Grêmio e até contra o Guarani! E quando vier o Brasileirão?

Mas minhas preocupações não terminam aí. Gostaria de saber, afinal, o que o Inter vai priorizar neste ano. Planejamento mal feito gera crise, não é preciso ir muito longe do Beira-Rio para constatar isso. E uma radical mudança de planos no meio do ano pode ser ainda pior, basta ver o que se passou conosco no ano passado. Então, como vai ser a partir de maio?

Titulares na Copa do Brasil e reservas no início do Brasileirão? Ou vamos tentar encarar as duas competições com tudo? A finalíssima da Copa do Brasil está marcada para o 1º dia de julho. Portanto, quando esse torneio acabar, já terão se passado 8 das 38 rodadas do Brasileirão. Quase um quarto da competição! Se ganharmos a Copa do Brasil, já estaremos na Libertadores, mas disputaremos o principal título nacional? Ou deixaremos que se passem 30 anos sem renovar essa conquista?

Mas isso não é nada. E quem for vice da Copa do Brasil? Vai conseguir juntar os cacos e buscar a vaga na Libertadores via Campeonato Brasileiro? Possível é. O São Paulo mostrou que em um turno se pode buscar o título. Contudo, nem todo ano tem cavalo paraguaio liderando o primeiro turno.

O calendário do futebol brasileiro nos apresenta essa bagunça e dele somos reféns. Talvez surja o dia em que o Inter possa se insurgir contra essa (des)organização, mas isso ainda é sonho. A partir de maio, teremos o famigerado acúmulo de jogos. E então, como vai ser? Ficam as questões: “O Gauchão é parâmetro?”; “Nosso time é confiável?”; “A zaga é essa?”; “Ficaremos sem o Sandro?”; “Sairá alguém na janela?”; “Voltará alguém das Arábias?”

Claro que nem mesmo nossos dirigentes têm as respostas a todas essas perguntas. Algumas dessas questões não dependem exclusivamente da vontade do clube. Mas uma questão específica, aquela que somente ao Inter cabe responder, é a que mais me interessa, a que mais me inquieta: “Afinal de contas, qual é a prioridade do Inter neste ano?”

Bueno, eu quero o Brasileirão!