terça-feira, agosto 23, 2011

Orgulhoso e Exigente

Sempre achei que a rivalidade regional é algo que nos puxa mais pra baixoque pra cima e, a cada dia que passa, tenho mais convicção a respeito. Um dos meus argumentos para defender essa tese é o Brasileirão de 2005. Naquele ano, o rival citadino estava na segundona, enquanto nós, só não levamos o título por uma série de circunstâncias combinadas que não vale à pena ficar relembrando. Não nego que, durante muitos anos, a rivalidade foi o nosso principal alimento e talvez até a razão principal para termos nos tornado grandes nos cenários nacional e internacional. Mas, sinceramente, acho que já faz algum tempo que essa realidade mudou.

Enquanto o clube do bairro vizinho, mais uma vez, faz de tudo para se atirar para a zona do rebaixamento, a torcida colorada, ao menos uma parcela significativa e barulhenta dela, mantem sua apurada autocrítica e manifesta, nos mais variados espaços, suas insatisfações com aquilo que não anda exatamente nos conformes. Um exemplo: o segundo tempo de Inter x Cruzeiro, em que vencíamos por 2 x 1 mas a torcida reclamava aos berros pela má atuação e pelas alterações equivocadas do treinador interino.

Dias depois, ainda que cheios de orgulho e prestígio, torcedores colorados fanáticos, dispostos a cruzarem a fronteira para assistirem o jogo de ida da Recopa, bradavam indignados com as escalações de Wilson Matias e Jô. Isso pra não falar em Bolívar e Tinga.

A meu juízo, mesmo ganhando o Gauchão, mesmo disputando a Recopa e uma vaga na Libertadores do ano que vem, o torcedor colorado exerce sua análise crítica destemida, pouco se importando com a posição do tradicional adversário local na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. Definitivamente, estamos muito mais preocupados com o nosso potencial que com o gramado do vizinho. E isso, a meu ver, é extremamente positivo! Real Madrid não se tornou o que é mirando o Atlético. Barcelona tampouco se limita a rivalizar com o Espanyol e muitos outros exemplos semelhantes se encontram pelo mundo afora.

Voltei da Argentina indignado com a postura tática do time, bem como com a escalação inicial e as substituições ocorridas no decorrer da partida. Pode parecer contraditório, mas creio que isso não abala meu orgulho em ver meu clube disputando mais uma copa internacional contra um dos maiores vencedores continentais de todos os tempos.

E dessa forma espero que siga se portando a torcida colorada, cada vez mais orgulhosa, mas ao mesmo tempo exigente. Sempre afirmei que a intensidade da cobrança da torcida é um medidor da grandeza de um clube. E o Inter é gigante!

A voz do torcedor é forte e se fez ouvir logo após a recente troca no Departamento de Futebol do Inter. Cuca foi indicado, mas a nação colorada disse não! E se há um mérito que deve ser reconhecido ao Presidente Luigi nesse episódio, foi o de ter ouvido a vários e não a um só, por mais peso que tivesse essa voz isolada.

Aí está Dorival, um profissional com as características ideais para promover a renovação tão aguardada no time colorado. Nele deposito minha confiança de que um Alecsandro, ou pior, um Kléber Pereira, um Edu ou um Ilan, não atrase o momento de um Damião, como no passado recente. E isso vale para qualquer posição.

Amanhã é dia de mobilização total, mais uma vez! Mais uma taça em jogo, mais um título ao alcance. No domingo são mais 3 pontos em disputa(qualificados pela rivalidade, mas não mais que 3 pontos). Que o torcedor siga fazendo valer sua vontade e concretizando seus anseios. Quando o Beira-Rio pulsa, as copas acabam se acomodando no nosso armário. Depois disso, o mesmo olho crítico de sempre, para seguir crescendo, incessantemente. Por que se olharmos para o lado, bem, ali já não tem mais nada. E olhar para trás, bom, isso já não faz o menor sentido!