terça-feira, agosto 02, 2011

Você também goza, às vezes

Toda noite a cena se repete. Travesti, com seus peitões e um bundão imenso, Kate passa as noites na esquina em busca de clientes e quem sabe prazer, vendendo a única coisa que lhe pertence: seu corpo. Um dia, Kate teve auto-estima. Isso foi quando resolveu assumir sua sexualidade, enfrentar agressões, discriminação, recriminações e incompreensão da família, deixando tudo e todos para viver sua vida, que em função um rompimento tão radical certamente não seria muito promissora.

Mas sua auto-estima foi se esvaindo com o tempo, as dificuldades, as humilhações, enfim. Hoje vemos Kate ali na esquina, conversando com malandros que apalpam seus seios e glúteos a frente de todos, enquanto ela - como que anestesiada - parece nem notar mais. Kate já não é uma pessoa, na verdade já não possui nem mesmo seu próprio corpo. Cafetões fazem o que querem dela, lucram com seu corpo, exploram-na diariamente.


Todos se aproveitam da Kate e ela aguarda o fim desta vida, sem nem mesmo saber por que ou pelo que vive. Às vezes Kate ainda protesta, mas então dizem "Quê isso, Kate? Lembre-se de que você também goza, às vezes".