segunda-feira, abril 06, 2009

Nunca me esquecerei

Minha história de vida é curta, medíocre ao lado da história do Sport Club Internacional. Se a minha trajetória seria difícil resumir em três dias, que dirá a do Colorado? Mesmo assim, desde sexta-feira, dia três de abril, até domingo dia cinco, foram os detalhes que expuseram um breve resumo de tudo que representa o Inter, pelo menos pra mim.

Como estou no direito de criar este texto, abuso agora da autonomia para transcrever meu sentimento em duas cores.

Sexta-feira, dia 03 de abril – Festa da virada, parte I.

10, 9, 8... 3, 2, 1. Não era 01 de janeiro e sim, o início do novo século. Olhei pra cima, enquanto se abriam no céu desenhos coloridos, ouvi o estouro dos fogos com aperto no peito. Lembrei antes de todas as frustrações, logo depois, das conquistas. Não busquei na memória as imagens, tristes ou felizes, revivi o sentimento. Não o fiz de caso pensado, foi sem querer, uma espécie de impulso racional, se é que isso existe. Foi por entender como chegamos onde estamos, que o inconsciente me apresentou a festa assim, saudosa de tudo, sem medo de nada.

Sábado, dia 04 de abril – Caminhando e cantando.

Num sábado de sol, o colorado alugou um caminhão. E pronto. Se compreendemos a relevância de cada feito, de choro ou de Glória, não se faz necessário mover um Guaíba para unir o coro da nação vermelha e branca. Contrariando a Bíblia e a Geografia, o mar vermelho se abriu por ele mesmo e o povo de “Fernandeus” foi do centro (da criação) até o rio. Não foi vislumbrando o todo que o coração bateu, foi olhando pro lado, pra frente, logo ali: vizinho, amiga, senhora, garotinho, inusitados e conhecidos na mesma alegria. Não há como existir algo tão popular, tão meu, teu, de todo mundo. Milhares, milhões que gritam o mesmo grito, cantam a mesma canção e vivem intensamente o mesmo Internacional.

Domingo, dia 05 de abril – Festa da virada, parte II.

Gigante de cem anos, casa de quarenta. Outra vez repleta dos seus e dos outros. Mais uma festa da virada. Devemos no Lauro, Bolívar, Kleber, porque não Taison? E até Magrão. Pois, repito, é na clareza do frágil que surpreendemos e revidamos fortalecidos. Sobramos no Sandro, Guiñazu, D’Alessandro e Da-le Índio!

Parabéns Nação Colorada, pelos cem anos de intensidade visceral, digna e igualitária. Felicitações pela nobreza do abraço, do carinho a todo e qualquer ilustre desconhecido que tenha ao teu lado gritado gol no concreto do Beira Rio. Eu nunca me esquecerei, não apenas dos dias que passei, mas também, dos amigos que fiz contigo Inter.